Seja no livro ou no filme, “Audição” mostra como cortar carne com osso

Lembro bem das circunstâncias que me levaram a conhecer “Audição”, quase 10 anos atrás, enquanto assistia a um vídeo sobre cenas perturbadoras do cinema. Porém, essa história ficou guardada na minha memória até que foi despertada, recentemente, ao procurar alguns títulos de livros para ler. Ao ver a sinopse, rapidamente me lembrei que já tinha ouvido falar daquela trama e, por consequência, também sabia do desfecho.

Quando minha encomenda chegou, e o livro estava em minhas mãos, tive uma ideia: por que não analisar tanto o livro quanto o filme? Só que eu, particularmente, não me arrisco a analisar audiovisual – no máximo algumas aventuras em séries e animes. Só que não demorei um segundo para lembrar que tenho, em minha equipe, um crítico de cinema que adora filmes de terror e seu nome é Cristiano William. Eis a proposta que fiz para ele: “vamos fazer uma análise conjunta e comparar nossos pontos de vista”. Ele aceitou e o resultado foi esse aqui que nós apresentamos: dois aficionados por terror analisando a mesma história, mas cada um em sua seara.

“Audição” é uma história de aspecto místico, visto que sua fama vem de sua cena final que nos apresenta uma das cenas mais gráficas e pesadas já escritas e dirigidas. Mas tem muito mais do que isso. Tanto o livro quanto o filme falam de temas como materialismo e questões de gênero, mas que no final tudo acaba convergindo para o mesmo clímax. Existem diferenças, como o Cristiano e eu constatamos, pois cada mídia tem suas peculiaridades. Porém, dentre as semelhanças, podemos ver que talvez um fio de aço seja a melhor opção para cortar carne com osso. Além disso, Murakami praticamente previu a existência de aplicativos de namoro.

Sinopse

O livro “Audição” (1997), de Ryū Murakami, é um thriller psicológico que acompanha Shigeharu Aoyama, um viúvo de meia-idade que, incentivado por um amigo, realiza uma falsa audição para encontrar uma nova esposa. Entre as candidatas, destaca-se Asami Yamazaki, uma jovem misteriosa com um passado obscuro. A escrita de Murakami é direta e impactante, conduzindo o leitor por uma espiral de tensão e desconforto.

Já a adaptação cinematográfica de “Audição” (1999), dirigida por Takashi Miike, é amplamente reconhecida por sua abordagem perturbadora e inovadora no gênero de terror. O filme inicia-se como um drama romântico, mas gradualmente se transforma em um horror psicológico intenso. A performance de Eihi Shiina como Asami é especialmente notável, transmitindo uma mistura de vulnerabilidade e ameaça. A cena final do filme é particularmente chocante, sendo frequentemente citada como uma das mais impactantes do cinema de terror.

Análise do livro

Por Gabriel Mattos

Desenvolvimento recompensador

Em diversos momentos da leitura de “Audição”, a impressão que temos é que é uma obra de terror na qual o terror é o menor dos destaques. Não raro, o leitor pode se pegar quase “esquecendo” que tal obra é de terror e começar a torcer para que o romance entre Assami e Aoyama dê certo. Além disso, por se tratar de um gênero que costuma abordar temas mais sensíveis, é no mínimo reconfortante ver diversas relações saudáveis.

Quer dizer: o “normal” seria pensar que Aoyama e Shiguehiko, seu filho, tivessem diversos conflitos domésticos, ou então que Aoyama fosse um empresário de caráter desprezível, pois estes são clichês do terror. Mas a grande surpresa é ver que todos se dão bem e se preocupam uns com os outros. Naturalmente que o protagonista não foi um marido perfeito para sua falecida esposa, pois logo nas primeiras páginas nos é revelado que ele havia sido infiel no passado. Apesar disso, o casamento dos dois era saudável e Aoyama sente profundamente a dor da perda da esposa, realizando tributos muito belos após sua partida que foi reconhecido principalmente pelo pai dela.

Mas voltando para o romance: aposto que muitos homens solitários (ou que não sejam tão solitários assim) acabaram se identificando com a situação do protagonista. Em outras palavras, digo aqui que a maioria seria facilmente ludibriado por uma das várias “Assami” que existem por aí: mulheres belas e carismáticas, mas problemáticas, tóxicas e até mesmo perigosas. E talvez por isso que muitos de nós torcem por esse romance, mesmo que saibamos que não irá dar certo – talvez o exato mesmo aconteça na vida de um homem quando acha uma “Assami”. E por isso é tão fácil se identificar com Aoyama, por mais que o personagem em si seja “morno”.

Todos esses elementos, tanto as boas relações apresentadas, quanto o desenvolvimento da relação do casal, acabam sendo cruciais para que o terror nos últimos dois capítulos funcione da melhor forma possível. Toda a cena se desenvolve em menos de 30 páginas que são lidas em uma única sentada, em detrimento das outras quase 150 páginas de desenvolvimento. Mas, para ser justo, às vezes é melhor termos o gosto de “quero mais” do que algo saturado e forçado. “Audição”, no fim, tem o tamanho ideal para a história que se propõe a contar e pode até ser um livro mais curto, mas a impressão que fica é algo que muitas obras longas não conseguem fazer igual.

Provavelmente, o choque da cena final seria muito maior caso o leitor não soubesse de nada da trama. Porém, devido ao sucesso do filme, fica muito difícil “cair de paraquedas” nessa leitura. Não obstante, esses “spoilers” não chegam a estragar a leitura, pois dessa forma conseguimos perceber certas nuances narrativas que Ryuu Murakami deixou em sua prosa muito bem construída. Aliás, parece até que o autor deixou seus “pensamentos intrusivos” tomarem conta de sua pena (ou de seu fude) durante boa parte da obra. Mas mesmo assim o resultado final foi satisfatório e talvez até melhor do que se fosse de outra forma.

O maior defeito da leitura é a forma como a tradução optou por translitar nomes japoneses para o português de forma que ficasse “mais próximo” de como se fala, indo contra as normas estabelecidas e utilizadas há décadas para escrever palavras do japonês para o alfabeto romano (o nosso). “Assami”, na verdade, se escreve “Asami”, enquanto “Shiguehiko” se escreve “Shigehiko”, dentre outros. A tradução tentou deixar a edição brasileira mais próxima de como se fala tendo em conta como nativos de português leem. Porém, o que era para ser algo visando a “facilitação” acabou deixando ainda mais complicado de se ler, uma vez tal adaptação acabou deturpando a forma correta de ser ler certos nomes, mesmo que a maioria dos leitores brasileiros não conheçam a forma correta. Sendo curto e grosso, a tradução criou outros nomes totalmente diferentes. Assim, é melhor escrever da forma convencional do que fazer essa “facilitação” que induz ao erro, pois está, além de minar a curiosidade do leitor em buscar saber mais sobre outro idioma, quebra uma norma bem estabelecida e utilizada no mundo inteiro. Não acredito que esse defeito de transliteração seja algo da editora Darkside Books, uma vez que já li outros livros japoneses traduzidos por ela que não possuíam essas coisas. Portanto, foi algo específico dessa edição que, sinceramente, espero nunca mais ver em outros títulos.

Feminismo ou misoginia? Materialismo, apenas

Não é incomum ler por aí que “Audição” possui uma mensagem misógina por detrás. Também não chega a ser raro ler o completo oposto: que a misoginia do livro é, na verdade, uma ironia que reforça a ideia feminista. E vale lembrar aqui que no feminismo existem diferentes vertentes, sendo o japonês um dos mais extremos, problemáticos e tóxicos que existem. Dessa forma, seria importante ter isso em mente quando se analisa essa mensagem mais “ideológica” do livro, uma vez que se trata de um livro oriundo do Japão e se foca em questões locais. Portanto, se o livro possui de fato algum tipo de mensagem mais feminista ou misógina, ela está muito mais restrita ao contexto japonês onde as coisas costumam ser diferentes das mesmas questões no Ocidente. Só que não dá para negar que, em alguns momentos, é possível se pegar pensando que alguns dos fatores expostos na trama nos colocam para refletir a forma como o empoderamento feminino não trouxe benefícios e “avanços” para a sociedade contemporânea da forma como imaginamos. Em outras palavras, talvez seja uma leitura que incomode alguns leitores com ideias mais progressistas.

Porém, uma interpretação mais “sóbria” que pode se ter do livro, sem sombra de dúvidas, é com relação ao materialismo que a sociedade japonesa enfrentou após o “boom” de crescimento econômico do país nos anos 1980 e 1990. O próprio fato de todo o pano de fundo da história ser uma audição para encontrar uma noiva para o protagonista, de forma intencional ou não, previu com anos de antecedência, os aplicativos de relacionamento, como o Tinder. A ideia é a mesma se parar para pensar, com a diferença apenas de que era tudo uma armação e só um lado sabia de tudo. Outro ponto muito curioso que a história adiantou é justamente o fato de que conhecer alguém dessa forma pode ser muito problemático e, até mesmo, perigoso, pois não se sabe com exatidão quem é a outra pessoa. Acredito que ambas as “previsões” não foram feitas de caso pensado, mas refletem o fato de que já nos anos 1990, o Japão vivia uma superficialidade nos relacionamentos como efeito colateral tanto da economia pujante quanto da cultura de viver apenas para o trabalho.

Tais características culturais na sociedade do Japão são vistas até os dias atuais, uma vez que nos últimos anos pouco mudou tanto no sentido econômico quanto no comportamento da população. Naturalmente que hoje em dia existem diversas diferenças, como o advento das redes sociais e uma população envelhecida, mas o “cerne” de tudo ainda pode se observar, o que torna “Audição” um recorte muito bom para entender diversas nuances dessa situação. Aliás, o livro não deixa isso explícito, mas um leve aceno ao tema da hipergamia é feito em dado momento, o que acaba unindo de forma muito sutil os aspectos materialistas e de gênero.  

Outro ponto a se observar, e esse é sugerido pelo autor no final do livro em um posfácio, é que Assami representa não só uma mulher que não superou seus traumas, como também é um reflexo de alguém solitário. E bom, isso corrobora com a interpretação que podemos ter ao longo da obra que aborda muito a questão do materialismo – mas pessoalmente acho incômodo quando o autor se “intromete” desta forma. Além disso, Murakami destaca o fato de que mulheres tão perturbadoras quanto Assami são uma constante na literatura japonesa, o que desperta uma curiosidade para desbravar essas leituras no futuro.

A carência de Aoyama é algo que também é digno de nota, mas também requer certo cuidado para evitar julgamentos precipitados. Para um homem quarentão, viúvo, mas bem sucedido e com um relacionamento saudável com o filho, amigos e funcionários, pode soar “imaturo” que ele caia por amores por uma “mulher perfeita”. Porém, tal atitude não está nenhum pouco longe da realidade, uma vez que homens podem ser mais suscetíveis a este tipo de coisa do que mulheres. Então, no fim das contas, ele acaba sendo um personagem muito humanizado pela sua banalidade, expondo tanto suas virtudes quanto seus pecados – uma vez que não foi um marido perfeito para sua falecida esposa.

Fios são ótimos para cortar carne com osso

A parte final do livro (mais precisamente os dois últimos capítulos) é nos apresentada a cereja do bolo que fez tanto o livro quanto o filme ficassem famosos. Assami, de um jeito misterioso, invade a casa de Aoyama e consegue sedá-lo com uma mistura de drogas potentes que tira os movimentos de seu corpo, mas não elimina sua capacidade de sentir dor. Ela explica o porquê de gostar torturar homens que começam a “ficar iguais ao seu padrasto” e deixar todos da mesma forma que ele (que segundo ela possuía problemas de locomoção). E o que Aoyama teria feito para ser considerado assim? Basicamente, Assami o chamou de mentiroso por ter omitido o fato de ele ter um filho adolescente. Talvez fosse propício que essa informação fosse dada mais cedo para ela, de fato, mas sua reação foi exagerada – para dizer o mínimo.

Assim, começa a sessão de tortura dela contra Aoyama, mas sem antes brutalizar o cachorro dele e de seu filho. Aqui, a sensação que fica é que o autor deixou tal cena explicita para que o leitor não tenha qualquer margem para interpretar Assami como uma “vítima” de algum tipo de machismo ou algo assim. Quer dizer: ela até pode ter sido em algum momento passado, mas isso não muda o fato de que sua natureza é maligna, cruel e sádica. Além disso, o próprio fato de ela ter como predileção a remoção dos pés das vítimas diz muito sobre sua própria relação com o balé, a arte da qual foi privada de praticar por problemas de saúde. Soa muito como uma forma inconsciente de Assami privar os outros dos próprios movimentos, mas não para mimicar a condição de seu padrasto, e sim a sua própria que é impedida de dançar – apesar de sua condição de saúde ser no quadril. Porém, mais uma vez: nada disso coloca ela como uma vítima, mas sim como parte de um problema muito grande.

Utilizando um cordão fino e muito resistente, tal como uma lâmina, Assami começa a remover um dos pés de Aoyama, enquanto ele não pode fazer absolutamente nada e sente tudo. A mulher até chega a falar que descobriu tal método assistindo televisão e viu um chefe de cozinha utilizando de algo semelhante para cortar carne com ossos mais duros. Segundo ela própria, o cozinheiro conseguia remover as partes com “muita facilidade”, mas não se sabe até que ponto isso tudo não foi mera “magia da TV” e quanto isso poderia ser aplicado na prática – ainda mais com a carne e ossos humanos. E isso tudo aumenta a agonia tanto de Aoyama como a do leitor, que precisa acompanhar isso de perto.

Outro ponto interessante é que esse ato de uma mulher remover um dos pés de um homem indefeso não é novo na literatura de terror. “Misery” (1987), de Stephen King, tem uma cena icônica que acontece a mesma coisa, mas em circunstâncias diferentes e com métodos também bem distintos. Na trama, Annie Wilkes faz isso com Paul Sheldon para puni-lo por tentar fugir e evitar que algo assim volte a acontecer enquanto ele não termina de escrever o livro. Porém, Annie é muito mais bestial e problemática logo na primeira vista, ao contrário de Assami, que é uma mulher de aparência dócil e muito bonita. Qual das duas é mais sádica? Não entrarei nesse mérito, mas ponho minha mão no fogo se Ryuu Murakami não se inspirou fortemente em “Misery” para ter sua ideia.

No fim, antes de Assami conseguir cortar o segundo pé de Aoyama, o filho dele, Shiguehiko chega em casa e vê a cena de o pai ensanguentado e sendo agredido por uma mulher desconhecida. Após um breve embate entre Assami e Shiguehiko, o jovem consegue matar a mulher dando uma facada no pescoço dela utilizando uma faca de combate que o pai havia comprado em uma viagem internacional. Aliás, aqui podemos ver um exemplo literal e muito bem aplicado do conceito da “Arma de Tchekhov”, uma vez que tal faca foi apresentada mais cedo na obra, com todo um contexto que poderia ter sido dispensado, mas que se conectou de forma perfeita com a cena final. Inclusive, Aoyama até insinua para o filho que “seria pior se um invasor visse que ele estava armado”, mas de forma irônica, foi justamente essa arma que acabou salvando a vida dos dois.

Análise do filme

Por Cristiano William

Não é segredo que alguns longas ganham uma certa aura folclórica com o passar dos anos. Isso acontece com filmes considerados amaldiçoados, como “O Exorcista”, ou filmes famosos por serem violentos demais e terem histórico de pessoas passando mal, ou de serem banidos de certos países. “Audição” é um desses longas que ganhou fama por seu teor violento e cenas gráficas, porém, é muito mais que isso. Sua fama vem embalada pela filmografia de seu diretor, Takeshi Miike, já conhecido por outro projetados mais pesados, mas que aqui sabe trabalhar a sensibilidade e usar ela para um contraste maior.

Lançado no Japão em 1999, acompanhamos um pai viúvo, que após sete do falecimento de sua ex-esposa decide que está na hora de conhecer uma pessoa nova. Então, ele e um colega de trabalho, fazendo uso de sua empresa de produção de filmes, armam um roteiro e fazem testes.com jovens atrizes, mas visando uma pretendente para o protagonista. Claro que, uma vez que nosso protagonista, Aoyama, se interessa pela jovem Asami e seu relacionamento avança, coisas bizarras vão acontecendo e o passado cruel de Asami é revelado aos poucos.

De longe, o que mais me surpreendeu é o roteiro. De maneira mais sutil possível nos é exposto várias questões de Aoyama assim como traços de sua personalidade. Detalhes como a foto de sua esposa na mesa de seu escritório e como ele virá o retrato, de forma culposa, quando está escolhendo uma pretende, mostra não só que ainda não a superou mas o pesar é a vergonha de estar procurando uma nova esposa dessa maneira.

Apesar da cena em que nos é revelado o plano para a audição, ela parece corrida e repentina demais, como se fosse algo pré-pronto, e nem um pouco absurdo. Mas, na mesma cena Aoyama comenta que se preocupa com a idade, que precisa casar logo mas também quer tempo para conhecer a pessoa, mostrando talvez uma pressão social, como se fosse uma obrigação estar casado.

Quando sabemos disso, outro elemento sobre a passagem de tempo de sete anos é exposto. Aoyama esteve todo esse tempo focado no trabalho, e só se preocupou em achar uma pessoa quando se deu conta que os anos estavam passando. Apesar de atrair olhares de outras mulheres em sua volta, uma colega de trabalho e a empregada que trabalha em sua casa, ao achar que só conseguiria algo com a audição não é estranho quando ele se encanta por Asami.

Um dos maiores trunfos desse roteiro é justamente essa relação entre os dois. Se por um lado temos muitas informações sobre Aoyama, por outro, conhecemos Asami por suas ações e histórias do passado que nunca sabemos ser verdade ou não. Esse contraste, faz de Asami, uma personagem cheia de segredos e imprevisível. Apesar de ter um passado violento, cheio de abusos e mutilações, nada é devidamente comprovado, exceto pelo fato ela ser sádica. Talvez por entender esse teor subjetivo sobre Asami, Takeshi Miike opte por contar sua história de maneira lúdica. Em uma sequência que mistura suspense e terror, Miike brinca com nosso imaginário e percepção de passado e futuro.

Na medida que Aoyama descobre coisas sobre o passado de Asami, as cenas intercalam flashbacks de seus encontros e de personagens desconfiados dela. Isso faz parecer que era óbvio que a personagem escondia algo, mas nada nos prepara para o desfecho.

Quando finalmente chega o ponto pelo qual o longa é conhecido, a sensação é de um balde de água fria. A sensação de contraste de trama é muito grande, temos ao menos uma hora de desenvolvimento da relação deles, antes das coisas ficarem estranhas, e mais uns 20 ou 30 minutos até descobrirmos que Asami é a verdadeira vilã. Em compensação, quando a tortura começa ela é recompensadora. “Audição” não é gráfica durante toda a rodagem como outros longas, porém a criação de tensão e  o trabalho de personagens que temos até chegar lá, torna tudo mais chocante e impactante.

“Audição” pincela críticas à objetificação feminina, padrões sociais e, trazendo para os dias atuais, superficialidade do sentimento amoroso. Apesar disso e de sua fama mitológica de ser pesado e violento, é no desenvolvimento dos seus personagens que ele encontra sua verdadeira força.

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