Eu tenho um desprezo genuíno pelas pessoas e um apreço muito grande pelas coisas.
Eu chego a guardar várias coisas que dizem ser “sem serventia”, mas tenho uma facilidade enorme de tirar pessoas da minha vida.
E a razão disso é bem simples, na verdade: as coisas se bastam e não me incomodam.
Nenhuma dor de cabeça e irritação que tive na vida vieram de coisas, mas sim de pessoas.
É claro que, eventualmente, as coisas me irritam, como quando um computador ou celular trava, ou algo quebra.
Mas as coisas não têm culpa disso. As pessoas sempre têm culpa quando me enchem o saco.
Uma ligação, uma reunião de emergência sem emergência, uma festa sem graça, um encontro insosso… Nenhuma das minhas coisas me traz esse tipo de sentimento ruim.
Aliás, até mesmo quando dizem que algo é “sem serventia”, isso sai da boca de alguém, de uma pessoa, o que, por si só, já é um aborrecimento.
As coisas não dizem nada sobre as pessoas, mesmo quando elas as tratam mal e mesmo quando os donos estão em péssimas companhias.
Por isso, gosto de guardar as coisas e jogar as pessoas fora. É mais fácil do que se imagina quando se aprende que as coisas são companhia melhor do que as pessoas.
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