Os produtores mais polêmicos de Hollywood

Hollywood sempre adorou grandes narrativas. Histórias de superação, redenção, poder e queda existem aos montes, e alimentam a máquina da indústria. Mas, talvez exista quem nunca imaginasse, que as histórias mais sombrias e densas estariam nos bastidores.

Durante anos, as engrenagens que fazem a máquina funcionar, são escritórios luxuosos e corredores dos seus interiores multimilionários onde decisões são tomas por nomes pouco conhecidos do grande público, mas com grande influência e poder: os produtores. Ele é quem viabiliza o projeto, ele quem contrata diretores, roteiristas, atores e consequentemente é quem decide quando um longa vai ver a luz do dia. Com tanto poder, muitos deles foram alvos de grandes polêmicas ao longo dos anos.

É fácil dizer que os olhares do grande público se voltaram para esse assunto em outubro de 2017, com uma matéria do New York Times sobre Harvey Weinstein. A matéria, escrita pelos jornalistas Jodi Kantor e Megan Twohey, expôs uma série de denúncias de abuso sexual contra o produtor além de, acordos de silêncio ao longo de três décadas. A repercussão da reportagem explodiu em questão de dias, com cada vez mais vítimas surgindo. Sendo assim ainda em outubro, outro jornal, The New Yorker, publicou mais uma matéria, agora de Ronan Farrow, com mais detalhes e incluindo gravações secretas e depoimentos de atrizes famosas, como Angelina Jolie.

Harvey Weinstein

Harvey Weinstein, que um dia foi conhecido como “o rei do Oscar” devido suas produções de renome como, “Pulp Fiction”, “O paciente inglês”, “Django livre”, entre outros, se entregou à polícia em maio de 2018. Após um longo julgamento, Weinstein foi condenado em 2020 a 23 anos de prisão por dois casos. O estupro de uma mulher em 2013 e agressão sexual contra uma assistente em 2006. Esse julgamento ocorreu em Nova York, mas em 2022 eles foi extraditado para Los Angeles, onde enfrentou novas acusações. Somando as condenações, Weinstein enfrenta uma pena de 39 anos.

Com isso, o homem que havia transformado a arte do cinema em uma ciência do sucesso, hoje já não tem mais ligação com a própria empresa e com a associação dos votantes do Oscar. Sua condenação se tornou um marco histórico e deu espaço para o movimento “#Metoo”, que se empenhou em acabar com a cultura do silêncio em Hollywood e trouxe à tona vários outros casos de abusos.

Entre as muitas denúncias polêmicas temos a de Scott Rudin. Diferente de Weinstein, os abusos de Rudin eram muito mais psicológicos e mostram o lado tóxico da pressão no ambiente de trabalho e a tolerância ao “gênio louco”. As denúncias surgiram após uma reportagem da revista “The Hollywood Reporter” de 2021. Diversos episódios de surto do produtor foram relatados, entre eles Rudin foi acusado de arremessar coisas nas pessoas, como monitores e cadeiras, ter crise de gritos, humilhações e ameaças. Além de diversos funcionários com ataques de pânico, o que resultava em uma alta rotatividade, ninguém aguentava mais que alguns meses.

Scott Rudin

Scott Rudin é altamente reconhecido, tanto no cinema quanto no teatro, tendo feito em sua carreira um EGOT, que é quando uma pessoa ganha um Emmy, Grammy, Oscar e Tony, em sua carreira, todos prêmios de grande prestígio na área. Infelizmente, não houve nenhuma consequência legal para os atos de Rudin até o momento. Apesar de estar afastado de novos projetos até os dias de hoje, ainda existe muita aceitação para comportamento tóxico de profissionais ditos como “gênios” na área.

Agora, entre diversas acusações e exposições, uma das que mais impactou a Internet, ainda mais por atingir um publico que cresceu assistindo os programas dele nos anos 2000, foi o caso do Dan Schneider. Schneider foi o principal responsável pela popularização de programas infantis da Nickelondeon, como Kenan e Kel, Drake e Josh e Icarly. O mais bizarro nesse caso é que em todos os seus programas, por mais infantis que fossem, ele não escondia seus fetiches tendo cenas em que sempre envolviam pés, massagens em pés, pés na cara de alguém ou a câmera focando em pés de alguma forma. Além de cada vez mais ele se colocar nesses programas, em cenas com as atrizes de biquínis e ele em uma piscina.

Dan Schneider

Todos esses sinais estavam à vista e muita gente já desconfiava que teria algo maior na história de Dan Schneider na Nickelondeon, mas tudo foi de confirmar apenas em 2024 com o lançamento do documentário “Quiet on set”, pela Discovery+ e pelo canal, Investigação Discovery. O documentário trás depoimentos de atores, atrizes e roteiristas que trabalharam com Schneider dos anos 1990 até meados dos anos 2000 e 2010. Expondo seu comportamento tóxico e sua estranha obsessão com a atriz Amanda Bynes.

Apesar da grande repercussão na época, “Quiet on set” soa uma pouco tendencioso. Isso pois, apesar de trazer acusações de abuso infantil sexual, incluindo uma sofrida por Drake Bell, um dos protagonistas de “Drake e Josh”, nenhuma dessas acusações caiu para Dan Schneider. Esses crimes foram cometidos por outros membros da produção, o que amenizou o peso de Schneider nessa história. Claro, ele ainda foi acusado de comportamento tóxico, misoginia, preconceito e de saber dos abusos sexual, mas como nenhum dos crimes sexuais foi provado ter sido cometido por ele, passou impune pela mesma tolerância que acometeu em Rudin.

Schneider foi formalmente dispensado da Nickelondeon, sob a desculpa de estarem procurando novos ares criativos. O produtor saiu da empresa pela porta da frente, com uma larga rescisão nas costas.

Dentre várias histórias sombrias que permeiam Hollywood, essas nos trazem três visões diferentes. Entre abuso sexual, moral e exploração infantil, fica claro que nos bastidores da indústria muita coisa podre acontece, tendo impunidade como principal arma. Não importa se o ambiente vende, sucesso, segurança ou respeito. Tudo isso é em vão se os vilões são quem controla as engrenagens.

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