“V/H/S 8”: ranqueando os curtas do pior ao melhor

“V/H/S” é uma franquia que já está de pé desde 2012. Focada em ser um longa em formato de antologia, traz pequenos curtas de terror compilados em um filme de 1h30, onde o formato é o mesmo: found footage.

De uns tempos para cá, a franquia ganhou uma nova roupagem ao ser adquirida pelo streaming britânico Shudder, que fez dela um evento anual, sempre carregando um tema central. Este não seria diferente, e o oitavo filme da franquia celebra o Halloween. Portanto, vamos ranquear aqui todos os curtas apresentados, do pior ao melhor, levando em conta o fator diversão, no que eles se propõem.

6 – “Kidprint”

Começando pelo mais fraco, “Kidprint” até parece ser intrigante no início, mas se mostra limitado até pela sua premissa. Aqui acompanhamos Tim, que possui uma empresa dedicada a filmar entrevistas com jovens e crianças com o intuito de ajudar em investigações, caso ocorra o desaparecimento ou sequestro de alguma delas. O problema de “Kidprint” é sua previsibilidade. Quando nos é exposto que já existem desaparecimentos em série, é fácil supor que algum funcionário da empresa de Tim esteja envolvido e usando as filmagens para más intenções.

Outro ponto baixo é o choque forçado. Quando sabemos quem é o envolvido e o que ele faz, o que se segue são cenas de tortura que parecem tão aleatórias quanto vazias, além de acabarem sempre fora das câmeras. Apesar de ser violento, por se tratar de crianças, o curta se limita no que é mostrado.

5 – “Diet Phantasma”

Este é o segmento que deveria conectar todos os outros curtas do filme — deveria. “Diet Phantasma” se estende ao longo de toda a duração, com pequenas partes sendo exibidas nos intervalos de um curta para outro. Na trama, uma empresa de refrigerantes exibe testes de seu novo produto, mas com um pequeno detalhe: todo mundo que experimenta o novo refrigerante acaba morrendo de formas bizarras no mesmo momento.

O senso de humor obscuro carrega esse curta nas costas. Além disso, há a sensação de criação de um universo próprio. Aos poucos, temos pistas das reais intenções, o que enriquece a trama. Até poderia dizer que existe uma crítica ao consumismo e ao corporativismo, por trás de um senso de humor e estética únicos, além do gore exagerado. Mas uma boa crítica é aquela que fica nas entrelinhas.

De fato, ele só não está mais alto na lista porque merecia um longa só seu para explorar seu potencial. E daqui para frente, todos os outros se bastam na sua duração.

4 – “Fun Size”

Falando em humor obscuro, este é o mais exagerado de todos. Em uma noite de Halloween, quatro amigos saem para pedir doces até que se deparam com uma casa onde uma tigela de doces estranhos os espera na porta. Ao ignorarem o aviso de pegar apenas um por pessoa, são transportados para uma fábrica bizarra de doces. Eu não vou mentir: o que fez esse curta ganhar uns pontos comigo foi uma piada de metalinguagem — são meu ponto fraco. O casal protagonista está fantasiado de operadores de câmera de filmes found footage, então, em vez de inventarem alguma desculpa para ficarem filmando o tempo todo, essa piadinha se basta.

O tom e o visual são extremamente caricatos. O grupo é perseguido por personagens coloridos e sorridentes, e as mortes são tão absurdas que chegam a ser cômicas. Acredito que não agradaria a todo mundo, mas é divertido como um curta.

3 – “Ut Supra Sic Infra”

O mais tecnicamente competente entre todos os curtas. Aqui acompanhamos uma cena de crime no México. Enrick é o único sobrevivente e, junto com a polícia e sua advogada, ele reconstrói o que aconteceu. Esse segmento se passa em duas linhas temporais: o dia do crime e a reconstituição. Com tão pouco tempo para se desenvolver, as coisas poderiam ter saído dos trilhos, mas a edição e a direção dominaram muito bem o tempo.

A transição entre as duas partes é orgânica e fluida, e conseguimos entender o que aconteceu com as informações que temos das duas linhas do tempo. As regras são muito bem estabelecidas — palavras em latim despertam a entidade escondida em um telefone, e essa é a causa das mortes. Com a decisão de mostrar em vez de apenas falar, apesar de não ser o mais assustador, é o mais redondinho e fechado de todos.

2 – “Coochie Coochie Coo”

Uma clássica história de terror, daquelas que viram lendas e têm cara de creepypasta. Duas amigas, que estão pedindo doces na noite de Halloween, são atraídas para uma casa assustadora, mas, ao adentrarem, não conseguem mais sair e são perseguidas por um monstro misterioso.

Nos primeiros minutos do curta, são estabelecidas, com pequenas pistas, lendas e histórias de sequestros do passado — detalhes que fomentam a sensação de folclore por trás do destino das duas personagens. O estilo é muito semelhante ao de “Rec” e “Atividade Paranormal”. E aqui vale a menção à diretora Anna Zlokovic. Zlokovic não tem medo de mostrar sua criatura: utiliza sua aparência bizarra para criar tensão e, em certo momento, usa seus movimentos lentos para criar uma espécie de contagem regressiva enquanto ela sobe uma escada.

Ao se passar inteiramente na casa da criatura, o curta tem um ar de “trem fantasma”. Conforme as personagens correm ou se escondem, vão descobrindo coisas novas, e detalhes bizarros são apresentados sobre o que acontece com as vítimas do monstro.“Coochie Coochie Coo” tinha tudo para se tornar o melhor de todos. Uma direção sólida, roteiro consistente e um clima assustador são as maiores qualidades do segmento. Porém, por apenas um detalhe, ele não é o primeiro da lista.

1 – “Home Haunt”

O número um da nossa lista — e o melhor entre os curtas — não por acaso é o último do filme. “Home Haunt” se passa nos anos 1980 e acompanha uma família que, em todo Halloween, constrói um labirinto e convida os vizinhos para curtirem a atração. Eis que, querendo inovar, o pai da família vai até uma loja e encontra um disco de vinil. Ao tocarem esse disco, eles são transportados para a versão real do labirinto.

Pouca coisa separa o primeiro do segundo lugar, mas essas coisas o primeiro faz com muita maestria. O ponto alto de “Home Haunt” é o domínio técnico nos efeitos práticos, lembrando até mesmo o fenômeno recente “Terrifier”. Você encontra de tudo aqui — desde body horror até ameaças sobrenaturais — sempre com muito gore.

Além de todos os fatores assustadores, o curta ainda consegue ser divertido. No início, vemos versões esboçadas e mais precárias daquelas que serão as ameaças cruéis. Isso dá um ar de curiosidade: conforme os personagens andam pelo labirinto, você nunca sabe o que vão encontrar. O que dá um ar de videogame ao curta, com os personagens avançando de fase e encontrando inimigos novos.

Conclusão

Mais um ano se passa, e a franquia V/H/S se mostra mais viva do que nunca. Após mais de 10 anos na sombra, conquistando seu pequeno nicho aos poucos, acredito que a temática de Halloween seja o atrativo que a franquia precisa para alcançar mais pessoas.

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