Entra ano e sai ano, o que se perpetua são as promessas. Tal obsessão por coisas novas não se aplicou ao cinema de terror no início de 2025: começamos o ano com duas reinvenções de monstros clássicos, “Nosferatu” e “Lobisomem”.
Por mais que o primeiro tenha encontrado no estilo do seu realizador a competência da consistência narrativa, o que nos foi entregue foi um confortável lugar-comum, reconhecível como vampiro e como história inspirada no clássico “Drácula”. O segundo tentou seguir a ousadia de Leigh Whannell e nos trazer não uma nova visão, mas um novo ângulo. Sua reinvenção da criatura metade homem e metade lobo foi focada na transformação. Buscando trazer o tema de uma pessoa que se deteriora com o tempo enquanto luta com seus demônios internos, Whannell acabou deixando de lado a veia assustadora, não deixando seu monstro brilhar.

Ainda falando de monstros, a tão sonhada versão de Guillermo del Toro de “Frankenstein” viu a luz do dia. Mais tarde, nesse mesmo ano, vimos que às vezes se manter no que faz dele melhor é uma boa opção. Del Toro, ainda que não trouxesse novos argumentos para a discussão, transformou seu longa em um playground, dando a visibilidade que tal criatura tanto buscava.
Mas, ainda que busquemos a inovação sempre, há o que nos conforte com mais do mesmo, sendo divertido ou nos puxando para baixo. “Premonição 6”, “Invocação do Mal 4”, “Five Nights at Freddy’s 2” e “Until Dawn”, adaptações ou continuações que podem sim ser uma divertida surpresa, mas que focaram no seu público. Pouca ousadia define o meio do ano, como se já fosse tarde para tentar algo novo e o que resta é empurrar com a barriga.

E então você releva as tentativas, mesmo que falhas, como em “Goat”, que, por mais previsível que seja, ousou misturar terror com drama esportivo, ou “Terror em Shelby Oaks”, que, com um roteiro fraco, teve ousadia em sua direção ao misturar elementos de vários subgêneros do terror. Ainda assim, tudo tem um grande porém estampado, como se impedisse de olhar além. Mas você deu a devida atenção às oportunidades que surgiram?
Mesmo seguindo uma tendência que está tentando alçar voos, o body horror está ganhando espaço, e este ano tivemos “A Meia-Irmã Feia”. Um clássico instantâneo, ousado e lúdico, com temas já explorados, mas que encontra na execução seu charme grotesco e angustiante.
Mas, se vamos falar dos maiorais, este ano tivemos “Pecadores”. Que experiência inebriante: tanto roteiro quanto direção em harmonia, trazendo o terror com música e história e usando algo que já vimos antes — vampiros, um ambiente enclausurado, um tom de humor para dar uma aliviada na tensão. Nem tudo precisa ser novo se executado com maestria, e com isso chegamos ao verdadeiro cerne da discussão. “A Hora do Mal” e “Faça Ela Voltar” foram duas potências do terror em 2025.
Além da narrativa bem construída, com drama e traumas, os longas possuem coisas em comum que os tornam especiais: nenhum faz nada novo. Enquanto um é sobre uma espécie de maldição que hipnotiza crianças, trazendo ocultismo e bruxaria para um ambiente desagradável, o outro fala de possessão demoníaca em tom melancólico.

Porém, em “A Hora do Mal”, vemos o pequeno Alex criando coragem e tomando a atitude de usar a magia da vilã, tia Gladys, contra ela mesma. Em “Faça Ela Voltar”, vemos Laura forçando uma possessão demoníaca com o objetivo de trazer sua filha de volta à vida. Então, de um lado temos um demônio, algo que seria indiscutivelmente a força vilã do longa, e, de outro, a magia que causa todo o mal na trama. Ambos não são tratados como o mal propriamente dito, mas sim como ferramentas, artifícios para os verdadeiros vilões atingirem seus objetivos.
A questão que me faz refletir sobre esses grandes longas de 2025 é que você não precisa criar nada novo. Para se reinventar, basta apenas fazer diferente, e não necessariamente inovar. Pois, se em “Pecadores” o fator decisivo que fez dele meu filme favorito deste ano não foi algo que eu nunca tinha visto antes, mas a harmonia em mesclar tudo em uma narrativa coesa e magnífica, o que falta pode ser isso: saber organizar ideias para buscar a inovação que fará seu ano diferente e exatamente como você deseja.
