Kevin Williamson assume de vez a frente da franquia “Pânico 7” para estabelecer sua solidez e consolidar novos rumos. Após polêmicas nos bastidores da franquia, o sétimo longa traz de volta Sidney Prescott, acompanhando sua vida em uma nova cidade, até que um novo assassino coloca em risco a vida de sua filha.
Williamson, roteirista do longa original “Pânico”, estabeleceu as raízes dessa história como uma sátira aos filmes slasher, ao seu público e aos clichês que os cercam. Com o passar dos anos, novas camadas foram sendo adicionadas em suas sequências, permitindo que a franquia permanecesse atual e relevante por quase 30 anos.
Agora, com “Pânico 7”, temos um ar de recomeço em meio a tudo isso. A narrativa reforça essa ideia ao insistir em discutir traumas e como lidar com eles. A metalinguagem, por sua vez, aborda a nostalgia dos fãs mais puristas, refletida inclusive na motivação do novo assassino.
Tudo isso vem amarrado em uma clara tentativa de remanejar o tom para algo mais sério e sombrio. Ainda restam resquícios de humor, mas o foco é assumidamente mais sóbrio, buscando ditar os novos rumos da franquia. É uma pena que essa decisão acabe sacrificando parte da crítica à indústria do gênero, que se limita a leves menções e, ao final, retorna à crítica aos fãs fanáticos, algo já explorado nos dois últimos longas.

Na direção, Kevin Williamson demonstra entender os maneirismos e aquilo que torna o gênero especial. Muito mais focado no suspense do que no horror explícito, o filme se torna o menos graficamente violento entre os três mais recentes. Ainda assim, cumpre bem o papel de criar tensão, utilizando desfoques, enquadramentos em segundo plano e até mesmo a tradicional fantasia do assassino para fazê-lo desaparecer nas sombras.
Porém, o uso de alguns desses recursos se prolonga além do necessário. A tensão crescente se estende em determinadas cenas até se tornar previsível. Vale lembrar que a sequência inicial de morte é a mais longa de toda a franquia.
No que se refere aos personagens, há prós e contras. Por um lado, a dinâmica entre Sidney e Gale, personagem já muito bem estabelecida como a repórter egocêntrica, salta aos olhos diante de tanta química. Em vários momentos, o texto demonstra o preparo de seus personagens, transformando um dos encontros com o assassino em ferramenta para evidenciar que eles não são indefesos. O vilão, propositalmente, é reduzido a um obstáculo cuja função é ressaltar o que eles têm de melhor e acaba casando com a ideia de que o assassino é apenas um humano.
Por outro lado, há uma vertente de personagens que acabam esquecidos ou soam descartáveis. Uma trama que poderia dialogar diretamente com o tema do trauma é abandonada nos momentos finais, com o desaparecimento de seu personagem central. Também há figuras que parecem permanecer na franquia apenas pelo carisma e para manter viva a lembrança de que a metalinguagem ainda faz parte do discurso.

Ainda que não seja perfeito, é difícil negar que a sessão é divertida. O domínio dos principais elementos do slasher fala mais alto do que os defeitos envolvendo personagens que existem apenas para aumentar o número de corpos.
“Pânico 7” é extremamente honesto ao comunicar suas intenções. Dialoga diretamente com seus fãs puristas, entrega fanservice, exalta sua protagonista e estabelece que o tema da vez é o saudosismo forçado.
No fim, temos exatamente aquilo que procuramos: perseguições, violência na medida certa e a essência do slasher nas mãos de um de seus mais notáveis criadores. Embora seu desfecho não esteja entre os mais memoráveis, a jornada serve para reafirmar uma franquia que se recusa a envelhecer e que agora determina, de uma vez por todas, um novo recomeço.
