Entrar para o privilegiado grupo dos recordistas mundiais é o sonho de muitas pessoas. Algumas das figuras que estampam as páginas dos livros dos recordes realizaram feitos impressionantes que apenas poucos seriam capazes de fazer.
Alguns feitos também são considerados, no mínimo, controversos ou até mesmo perigosos. É por isso que o Guinness World Records recusa o reconhecimento de determinados recordes por representar um risco a todos que tentem superar o anterior. Portanto, coisas como ficar semanas sem comer, dormir, ou até mesmo o contrário, não são aceitas para avaliação. Além disso, outros tópicos mais subjetivos, como beleza, bondade ou maldade também são dispensados, uma vez que não são facilmente distinguíveis de forma objetiva.
Contudo, existem alguns recordes, oficiais e não oficiais, que são, no mínimo, curiosos ou até mesmo inusitados ou trágicos. Temos certeza que alguns deles ninguém gostaria de tentar quebrar.
Paradoxo do navio de Teseu
Apesar de já ter recebido quatro transplantes até agosto de 2025, o Faustão está longe de ser a pessoa que mais recebeu órgãos alheios. Porém, existem diferentes formas de interpretar os recordistas do tipo.
Por exemplo, o recorde mundial de maior quantidade de órgãos transplantados em uma única pessoa pertence a Alessia di Matteo, uma italiana que, aos seis meses de idade (em janeiro de 2004), passou por um transplante simultâneo de oito órgãos em uma única cirurgia no Hospital da Universidade de Miami. Ela recebeu fígado, intestinos (delgado e grosso), pâncreas, estômago novo, baço e dois rins para tratar a síndrome congênita de disfunção dos músculos lisos (MMIH), uma condição letal sem o procedimento. Infelizmente, mesmo com o sucesso inicial, Alessia faleceu aos 18 meses de idade devido a complicações posteriores à cirurgia.
A pessoa que mais recebeu transplantes ao longo da vida (considerando o número de órgãos transplantados) é Daniel Canal, de Miami, Estados Unidos. Ele recebeu, em junho de 1998, o seu terceiro conjunto de quatro órgãos — estômago, fígado, pâncreas e intestino delgado — em pouco mais de um mês, tornando-o o recordista registrado nesse tipo de complexidade médica. Além desse caso, outro recorde relevante está relacionado ao número de rins recebidos por um indivíduo. Björn van Empel, da Holanda, detém o recorde mundial de sete transplantes de rim, tendo recebido seu sétimo transplante em 11 de março de 2014.
Hic hic hic
Sabemos o quão chato é ficar soluçando, mas certamente não há situação pior do que a deste americano. O recordista mundial do soluço mais longo da história foi Charles Osborne, um fazendeiro americano que começou a ter soluços em 13 de junho de 1922, aos cerca de 29 anos, enquanto suspensava um porco para abate. Durante esse episódio, ele caiu e sofreu uma lesão cerebral — que os médicos acreditam ter danificado uma parte do tronco cerebral responsável por inibir o reflexo do soluço.
Os soluços de Osborne continuaram ininterruptamente por 68 anos, até fevereiro de 1990, quando finalmente cessaram, apenas cerca de um ano antes de sua morte, em 1991. Ao longo desse período, estima-se que ele soluçou entre 20 a 40 vezes por minuto, somando impressionantes mais de 400 milhões de soluços durante sua vida. Esse caso extraordinário permanece reconhecido pelo Guinness World Records como o recorde de ataque de soluços mais prolongado já registrado. É um exemplo extremo de como uma condição aparentemente inofensiva pode se tornar um desafio médico e de sobrevivência quase inimaginável.
Colocou o Cascão no bolso
Não é nenhuma novidade que o brasileiro é um dos povos mais higiênicos do mundo, sendo que é muito raro ver por aqui pessoas que não tomam ao menos um banho por dia. Porém, em países europeus e asiáticos, é bastante comum ver pessoas não tomando banho todos os dias.
Mas nada disso supera o recordista mundial. O recorde mais extremo de ausência de banho foi atribuído ao iraniano Amou Haji, apelidado de “o homem mais sujo do mundo”. Ele passou mais de 60 anos sem tomar banho, acreditando que água e sabão poderiam adoecê-lo. Sua vida excêntrica chamou atenção mundial e inspirou documentários e reportagens sobre suas escolhas de higiene extrema. Amou Haji faleceu em 23 de outubro de 2022, aos 94 anos, na aldeia de Dejgah, na província de Fars, sul do Irã. De acordo com relatos, sua morte ocorreu poucos meses após tomar banho pela primeira vez em mais de seis décadas.
Peçonhento
Para a maioria, a simples ideia de estar perto de uma cobra é digna de repulsa. Obviamente este não é o caso de Boonreung Buachan. Conhecido como o “Homem-Serpente da província de Sisaket” (também chamado de Snakeman of Sisaket), tornou-se célebre em 1998 ao conquistar o Guinness World Record por permanecer durante sete dias em um contêiner de vidro cercado por várias serpentes venenosas — um feito extremo que lhe rendeu visibilidade internacional e o apelido infame.
Tragicamente, sua habilidade com ofídios, frequentemente demonstrada em apresentações públicas onde manipulava cobras venenosas, teve fim em 2004. Durante um show diário, foi mordido por uma cobra (relatos mencionam que teria sido uma mamba ou uma nova cobra capturada do mato). Mesmo após tomar remédios herbais e uma dose de uísque, entrou em convulsão, inicialmente confundida com uma crise epilética, e acabou falecendo no hospital logo depois, vítima do veneno — um desfecho alarmante que lhe rendeu até mesmo um Darwin Award póstumo.
Claustrofobia aqui não
Ser enterrado vivo talvez seja um dos maiores terrores que alguém pode passar, principalmente se for uma pessoa com claustrofobia. Aparentemente este não era o caso do homem que resolveu quebrar o recorde mundial de ficar enterrado vivo.
Michael “Mick” Meaney, um irlandês de Tipperary, ganhou notoriedade em 1968 ao se enterrar por 61 dias em um caixão no bairro de Kilburn, em Londres. A façanha atraiu imprensa, curiosos e até levantou debates no Parlamento britânico. Com uma rotina surpreendente em seu confinamento subterrâneo, ele acordava às 7h, fazia exercícios dentro do caixão, lia jornais trazidos por tubos e até recebeu visitantes com quem conversava por um telefone improvisado. Sua confiança era tal que, ao emergir, afirmou sentir-se “maravilhosamente bem” e revelou que tinha condições de suportar até 100 dias, mas optou por sair após 61 a pedido de seus organizadores.
Apesar da ousadia, seu feito não foi oficialmente reconhecido pelo Guinness World Records, uma vez que não havia nenhum representante presente para validar o número de dias. Mick Meaney faleceu em 17 de fevereiro de 2003. Seu legado permanecia tão forte que, em 2018, foi anunciado um memorial em Mitchelstown (Condado de Cork), sua cidade adotiva, com a inscrição: “Um homem que ousou sonhar quando os sonhos não eram permitidos”.
