Após 12 anos do lançamento do primeiro longa, a franquia “Invocação do Mal” chega ao fim. A conclusão é mais um capítulo comandado pelo diretor Michael Chavez, que ao tentar misturar uma série de elementos, se perde pela falta de eficiência em comparação com seu antecessor.
O novo capítulo se chama “Invocação do Mal 4: O último ritual” e traz os dois investigadores paranormais em seu último caso que, de certa forma, tem ligação com um acontecimento de seu passado. O quarto filme da franquia é o segundo dirigido por Michael Chavez. Chavez também dirigiu o terceiro longa, considerado por muitos um ponto baixo na franquia, e aqui infelizmente ele repete a dose.
Diferente dos dois primeiros, dirigidos por James Wan, onde temos não apenas a atmosfera da casa mal-assombrada, mas também a ligação dos acontecimento com o tema central da família, aqui tudo é muito mais raso e suavizado em prol de uma conclusão que, infelizmente, se apoia em uma nostalgia barata. Seja por culpa do roteiro, ou da direção que não sabe dosar os tons, tudo parece bagunçado. O longa luta consigo mesmo ao tentar contar a história, ao mesmo tempo que se homenageia e tenta ser um capítulo emocional para os fãs da franquia.

Outra lamentável diferença de talento entre Chavez e Wan é o domínio do gênero de terror. Aqui os jump scaries são telegrafados e fora de timing, fazendo deles previsíveis e apelativos. Enquanto Wan trabalhava o suspense, segurando o momento de susto até o limite e fazendo o ápice da cena surgir de onde menos se espera, Chavez parece uma força ansiosa, pronto para mostrar o que pode fazer o quanto antes, sem tempo para tensão.
Isso é refletido até mesmo em seus monstros. Algo notável na franquia sempre foi a atenção e o trabalho dado nas suas criaturas, sempre diferentes e com seus momentos de brilho, cada telespectador tem em sua memória ao menos um personagem memorável da galeria de vilões dos Warren.
Mas aí chega o quarto filme. Que entre aparições rápidas aqui e ali, quando não esta se aproveitando de símbolos já pré-estabelecidos, como a Annabelle, mal aproveita as novidades. Assombrações genéricas carregadas de efeitos especiais, além de artificiais não dão medo, tampouco são interessantes pois não seguem um modus operandi, ou seja são sem carisma.

Por sorte, tudo que um dia já carregou a franquia nas costas se mantém firme e forte. A química entre Vera Farmiga e Patrick Wilson funciona e sempre funcionou, assim como suas atuações nos papéis de Ed e Lorraine Warren. Por mais que a dupla protagonista tenha carisma o suficiente para nos fazer se importar com o destino dos personagens, a inclusão da filha deles no legado soa repentina e forçada, tal adição na história precisa de um estabelecimento maior.
Contudo, é uma pena dizer que o tom se perde ao meio da salada narrativa que se cria no longa. Momentos cômicos, emotivos e assustadores, são atropelados uns nos outros, assim como a homenagem forçada para franquia torna cenas gratuitas, cansativas.
“Invocação do Mal 4: O último ritual”, sofre com uma direção, roteiro e montagem medíocres. Que optaram muito mais por um epílogo melancólico e água com açúcar, do que uma conclusão épica e assustadora.
