Obviamente todo mundo tem seu filme favorito. Quando se trata de terror a discussão de melhor filme, ou filme favorito, vai além, pois aqui temos o fator “medo” e “assustador”. Afinal de contas, como medir uma filme como “o mais assustador”? Tem quem gosta de filmes gore, e considere isso um fator para o nível de terror. Tem quem gosta de monstros, demônios, espíritos… Enfim, o terror tem muitas formas em diferentes gêneros.
Porém, em 2020, uma empresa chamada “Broadbandchoices” deu início ao um estudo denominado de “Science of Scare Project”. O projeto teve participação de 50 pessoas, no primeiro ano, que estiveram seus batimentos cardíacos monitorados durante a sessões de diversos filmes de terror.
O resultado teve um vencedor: “A Entidade”, de 2012. O longa, dirigido por Scott Derrickson, apresentou uma variação cardíaca de 34% em comparação ao repouso, e picos fortes em momentos de maiores tensões nos participantes. Não demorou muito para que “A Entidade” estampa-se veículos de comunicação como “O filme de terror mais assustador segundo a ciência”. Porém, esse estudo tem algumas variações.

Ambiente controlado
As sessões dos longas se passaram em um som muito específico para ser envolvente, 5.1 sorround sound, além de sala escura que, simula o cinema. Porém, é bem diferente do que assistir em casa.
Os filmes escolhidos
Ao que tudo indica, a lista de seleção veio de indicações de posts do Reddit e de sites e outras listas populares. Isso prejudica a diversidade de filmes, não englobando longas de várias épocas e ou de países diferentes.
Os participantes
Em 2020, o número de participantes era 50, o que não representa um nível muito alto de diversidade. Além disso não se tem confirmação sobre faixa etária ou se são pessoas já acostumadas com o gênero do terror.
A métrica
O que foi usado como resultado para definir se um filme era mais ou menos assustador privilegia o uso de jump scare. Consequentemente não leva em conta o terror psicológico ou desconforto e náuseas que um longa de terror também pode causar.

“O filme mais assustador da história”
Falando sobre “A Entidade”. No longa conhecemos um autor de livros baseados em crimes reais, que se muda com sua família para uma casa onde um crime terrível aconteceu, com interesse em escrever seu próximo livro. Aos poucos ele descobre que tem algo sobrenatural envolvido na história. A direção de Scott Derrickson é bem equilibrada entre, momentos de apresentação, investigação e ritmo acelerado. Isso pois a mitologia por trás da entidade maligna é muito bem explorada enquanto conhecemos mais sobre o protagonista e os crimes que eles investiga.
O tom do longa e o visual de filmagens em formato super 8 podem ter contribuído para o sucesso do filme no estudo. Algumas mortes e cenas mais violentas são apresentadas nessas filmagens mais antigas da um tom cru e até mesmo documental para as cenas. Não só isso, mas o uso desse formato para mostrar as mortes, causa um silêncio abrupto nas cenas, o que favorece o uso de jump scare no longa.
Conclusão
De fato eu não sou muito fã do recurso de jump scare, mas não nego que saber usá-lo é um grande mérito. As técnicas de Scott Derrickson na direção são sim notáveis e fazem de “A Entidade” um bom filme. Porém, o estudo que o coloca como o ápice do terror é facilmente redirecionado para isso, fora dos pontos favoráveis para esse tipo de terror, nos quais já citei, vale lembrar que a empresa responsável pelo estudo é uma empresa que compara ofertas de banda larga TV, Internet e telecomunicações, ou seja focada em viralizar.
Apesar de checar em um resultado interessante, no que diz respeito à reposta imediata de reação. Me incomoda muito o estudo não levar em conta fatores que compõem o gênero do terror e que vão além do susto, afinal não é porque você se assusta com algo que tem medo dele. Ao meu ver esse experimento foi feito e composta com a intenção de viralizar e trazer discussões não sobre o longa em específico mas sim para fomentar o uso de streamings para a procura do gênero. No fim tudo é mercadológico, e as escolhas populares de longas só servem para padronizar ainda mais a indústria e prejudicando a ampliação do mercado e do gênero do terror.
