“O Som da Morte”: barulho demais, impacto de menos

Início de ano é complicado para os lançamentos. Esse período de janeiro e fevereiro é conhecido como época de descarte dos estúdios. Com algumas exceções, como o recente “Socorro!”, a época pode trazer algumas surpresas, como “O Primata”, ou bombas como “Retorno a Silent Hill”, obra que me privei de assistir até o momento. Porém, “O Som da Morte” não escapou dessa estatística.

Um grupo de estudantes de ensino médio marginalizados encontra por acaso um objeto amaldiçoado: um antigo apito da morte asteca. Eles descobrem que, ao soprar o objeto, o som aterrorizante que ele emite convoca suas mortes futuras para caçá-los.

Diante dessa premissa, estamos diante de uma fórmula já bastante manjada. Um grupo de jovens, um objeto amaldiçoado com regras que servem apenas para serem quebradas, algumas subtramas e pronto: basta apenas esticar tudo por um pouco mais de uma hora e meia e temos o nosso filme.

Apesar disso, é perceptível que a direção de Corin Hardy tenta demais extrair o que a obra pode oferecer de melhor. Hardy brinca com a percepção, ângulos de câmera e com expectativas antes de cada jump scare, o que já é bem mais do que ele fez em “A Freira”, lá em 2018.

Apesar disso, decisões técnicas minimizam esses esforços do diretor. Um irritante som estridente em cada cena de susto se repete ao longo da obra, assim como bonecos digitais inseridos de forma amadora interrompem a pouca imersão que o longa poderia oferecer.

Sem uma parte técnica primorosa, as mortes tentam se sustentar pela violência, que também é outro elemento minimizado por escolhas criativas. Apesar da classificação indicativa alta, temos ao menos duas mortes muito parecidas, uma que deveria ser emocionante, mas é puro CGI mal montado. A única mais memorável acaba com uma versão digital do ator caindo no chão de forma hilária.

Agora, se uma parte técnica ruim tira o estilo da direção e minimiza o impacto das mortes, o roteiro amarra tudo como se cumprisse uma tabela de filmes ruins.

Na cena inicial, um jovem é morto queimado no vestiário da escola, deixando claro o elemento sobrenatural. A história começa de fato seis meses após esse ocorrido e, ainda assim, personagens ligados a esse jovem se mantiveram céticos todo esse tempo e não acreditam no sobrenatural.

Personagens esses todos unilaterais, carregados apenas por um traço de personalidade e cada um com sua subtrama, que o roteiro tenta nos convencer de que são mais profundos do que parecem. Tal recurso apenas estende a duração do longa, ao mesmo tempo em que ele é apressado, sem tempo para as mortes terem peso ou os personagens serem desenvolvidos.

Talvez “O Som da Morte” encontre seu valor no público mais jovem, podendo se tornar uma franquia futura. Até lá, é mais um longa com pouco esforço narrativo, que transforma o terror em um tipo de gamificação preguiçosa, com objetos, regras e personagens no lugar de jogadores. Claro, tudo sendo uma desculpa para mostrar mortes sem peso e vazias, típico de um clássico terror de início de ano.

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