A copa do terror: os filmes que representam as seleções do Grupo H

Ao longo da Copa do Terror, cada grupo revelou uma maneira diferente de provocar medo. Alguns apostaram no folclore, outros na violência, no isolamento ou no sobrenatural. O Grupo H, porém, parece compartilhar uma característica ainda mais sutil: a ideia de que o passado nunca desaparece por completo.

Seja por meio das cicatrizes deixadas por uma guerra, de tradições preservadas ao longo das gerações, de crenças religiosas profundamente enraizadas ou de traumas escondidos entre as paredes de uma velha casa, os representantes desta chave mostram que o horror costuma surgir quando aquilo que deveria permanecer enterrado encontra uma forma de retornar.

É um grupo em que o medo não nasce apenas do desconhecido, mas daquilo que insiste em ser lembrado. Cada filme transforma a memória em sua principal ferramenta narrativa, provando que alguns fantasmas não precisam ser sobrenaturais para continuar assombrando o presente.

Espanha

The Devil’s Backbone” (A Espinha do Diabo)

Notas: IMDb 7,4 | Rotten Tomatoes 93% | Letterboxd 3,9/5

Sinopse: Durante a Guerra Civil Espanhola, um garoto chega a um orfanato isolado onde passa a presenciar acontecimentos sobrenaturais ligados ao fantasma de uma antiga criança desaparecida.

Dirigido por Guillermo del Toro, o filme utiliza o terror gótico para revisitar as feridas da Guerra Civil Espanhola. O fantasma funciona menos como um monstro e mais como a materialização de um passado traumático que insiste em permanecer vivo.

Cabo Verde

The Cemetery of Cinema” (representação simbólica)

Notas: IMDb 7,0 | Letterboxd 3,4/5

Sinopse: O documentário acompanha a memória do antigo cinema de Mindelo e a relação da população cabo-verdiana com a preservação de sua história cinematográfica.

Cabo Verde praticamente não possui uma tradição consolidada no cinema de terror. Assim como ocorreu com outros países da série, a representação acaba destacando uma cinematografia emergente e fortemente ligada à memória, à identidade e à tradição oral, elementos que poderiam inspirar futuras produções do gênero.

Até o momento, não há um longa-metragem de terror cabo-verdiano com reconhecimento internacional comparável aos representantes dos demais grupos.

Arábia Saudita

Hwjn

Notas: IMDb 6,0 | Letterboxd 3,0/5

Sinopse: Inspirado em um romance de sucesso, o filme acompanha um jovem djinn que se apaixona por uma estudante humana, desencadeando eventos que aproximam o mundo espiritual do cotidiano.

A produção utiliza a figura dos djinns, seres presentes na tradição islâmica, para construir um horror sobrenatural profundamente ligado à cultura saudita. Ao combinar romance, suspense e espiritualidade, mostra como o terror da região frequentemente nasce de crenças religiosas e do invisível.

Uruguai

The Silent House” (La Casa Muda)

Notas: IMDb 5,3 | Rotten Tomatoes 67% | Letterboxd 3,0/5

Sinopse: Enquanto ajuda o pai a reformar uma casa abandonada no interior, uma jovem começa a ouvir ruídos vindos dos andares superiores. Presa no local, ela tenta descobrir a origem dos sons antes que seja tarde demais. Inspirado em uma lenda urbana uruguaia, o filme aposta em uma narrativa claustrofóbica e ganhou notoriedade por simular um único plano-sequência durante toda a projeção. Em vez de depender de efeitos grandiosos, constrói o medo por meio do silêncio, da tensão e da limitação do espaço.

O Grupo H parece girar em torno de um mesmo conceito: o passado como assombração.

Na Espanha, ele ressurge através das cicatrizes da guerra. Em Cabo Verde, manifesta-se na preservação da memória cultural e da identidade de seu cinema. A Arábia Saudita recorre às tradições religiosas para aproximar o mundo espiritual da realidade cotidiana. Já o Uruguai transforma uma casa isolada em palco para traumas que nunca foram completamente enterrados.

É uma chave marcada por cinematografias muito diferentes entre si. Se a Espanha entra como favorita absoluta graças à força de sua tradição no gênero, os demais representantes mostram que o terror também pode surgir em países com produções menos conhecidas, encontrando no folclore, na espiritualidade e na memória coletiva maneiras singulares de provocar medo.

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