O que se esconde de diabólico por detrás da banalidade

Sempre fui um homem que precisava conviver com um dilema. De um lado, meus instintos sempre me alertaram quando algo não estava certo com alguma coisa ou, em especial, com alguém. Era quase como se meu anjo da guarda estivesse berrando em meu ouvido. Por outro, eu frequentemente não ligava para esses sinais de alerta por acreditar que se tratava de um equívoco ou preconceito.

Só que, quase sempre, com o tempo, eu percebo que deveria ter dado a devida atenção às minhas primeiras impressões, pois elas não estavam tão erradas quanto eu pensava que poderiam estar. Levou muito tempo até que eu conseguisse fazer um exame de consciência e visse que esse era um padrão frequente.

E, dentro dessas primeiras impressões que eu sempre tive e que posteriormente percebi que deveria ter levado em consideração, algo sempre se repete. Não tem erro. Em todas as vezes em que meus instintos gritaram, o que mais me parecia perigoso não era algo extravagante, mas, sim, a banalidade.

Sim, a banalidade. O que há de mais diabólico no mundo usa dela como subterfúgio. Devemos redobrar muito mais a atenção para aquilo que não chama atenção do que para aquilo que é inédito, mesmo que aparentemente perigoso.

O risco maior da banalidade é justamente o fato de que o mal (mundano ou espiritual) se aproveita dela para agir. Dessa forma, o que é prejudicial e macabro acaba, aos poucos, aproveitando-se da tolerância das pessoas. Por fim, quando nos damos conta, estamos aceitando absurdos por considerarmos tudo banal.

Portanto, faço a seguinte reflexão para quem está acompanhando até aqui: como você enxerga o mal? Como um grande demônio vermelho e com chifres ou como um político poderoso que autoriza atos asquerosos? Se você o enxerga dessa forma, não está errado. Tudo isso também é o mal, mas é só o extremo e mais palpável dos males que é facilmente distinguível no cotidiano, em meio a tantas coisas.

E é por isso que o que há de diabólico por detrás da banalidade é tão mais perturbador. Ele é imperceptível, esconde-se atrás de um véu de normalidade até que, finalmente, quando nos damos conta, já é tarde demais. Tanto por ter se tornado uma praga quase impossível de lidar quanto porque nos tornamos parte dele.

Portanto, tome cuidado com aquelas pessoas que parecem muito comuns e que estão somente demonstrando viver uma vida normal. E note bem que disse “demonstrando”. Essa gente faz coisas que todo mundo faz: trabalha, estuda, sorri, festeja, bebe, fuma e vive. Não parece haver nada de anormal.

Mas são nas pequenas atitudes que essas pessoas mostram seu lado mais maléfico e tóxico. Em algumas vezes, elas não são essencialmente más, mas já foram corrompidas por ele sem perceber, porque ele se esconde por trás de uma aparência de normalidade. Já noutras, elas são o próprio mal que se esconde por detrás de um sorriso gentil e de um ombro amigo.

Portanto, não seja mouco aos gritos que seus instintos e seu anjo da guarda dão. Pode ser que, lá no fundo, por detrás de algo tão banal, esconda-se algo terrível. E talvez se passe uma vida inteira sem que isso seja descoberto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *