“Sobrenatural: Agora entre nós”: uma franquia que não avança

Em 2010, o diretor James Wan, já consagrado por ter realizado “Jogos Mortais” e “Gritos Mortais”, lançava o início de uma nova franquia, “Sobrenatural”. Agora, em 2026, chega a sexta sequência da franquia, intitulada “Sobrenatural: Agora entre nós”. O novo longa traz tudo aquilo que uma franquia deveria evitar: a redundância e a falta de propósito.

Na trama, acompanhamos Gemma, uma mãe solteira que passa a ser atormentada pelo espírito de um líder religioso demoníaco com o objetivo de usar a habilidade de Gemma de trazer e levar objetos para o mundo espiritual. Para ajudá-la nessa questão, ela vai contar com a ajuda de Elise Rainer, personagem já conhecida da franquia, interpretada por Lin Shaye.

É difícil analisar o longa sem uma visão geral da franquia. Após o sucesso do primeiro filme, James Wan focou na franquia “Invocação do Mal”, série em que também largou a direção após o segundo longa. Desde então, “Sobrenatural” passou a ser uma espécie de laboratório da produtora Blumhouse, onde existe uma rotação de diretores, sempre focando no que eles acham que o público quer ver.

Como o grande sucesso da vez vem sendo o body horror, existem aqui leves pinceladas do gênero, com momentos aflitivos em uma cadeira de dentista ou criaturas com aparência nojenta que babam e rastejam.

Mas esses momentos não passam disso, leves pinceladas. Não demora para o filme cair nos velhos clichês do terror sobrenatural. Apesar de tentar, o diretor Jacob Chase parece obrigado a focar sua narrativa em questões banais e pouco inspiradas, como crise familiar, que não são aprofundadas e pouco são finalizadas pelo roteiro.

No que diz respeito ao roteiro, os diálogos beiram o constrangimento quando existe a necessidade de exposição. Nessa questão é que entra a personagem de Lin Shaye, que, a este ponto, se torna uma facilitação ambulante, onde a maior justificativa para sua presença é o puro apelo popular por parte dos fãs da franquia.

Com exceção de uma única cena muito inspiradora, onde um espaço confortável se torna ameaçador, mas que, ainda assim, foi amenizada pelo uso excessivo dela no marketing, o restante é jump scare barato e vilões que rastejam e gemem sem propósito.

Em uma era de novos diretores, onde temos “Backrooms”, “Obsessão” e “Hokum”, a franquia “Sobrenatural” parece presa no tempo. Ainda refém de clichês com tramas familiares que são deixadas de lado em nome de um susto mais elaborado, tudo que se consegue tirar de proveito é o sentimento de vazio que o longa nos proporciona.

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