Um filme de terror por dia: quando o medo é confiar nas pessoas

Passamos agora por épocas em que o estabelecimento de conceitos fala mais alto que a renovação.

Dia 16: “Whispering Corridors” (1998)

Em um colégio interno para garotas marcado por abusos e opressão, uma professora é assassinada após descobrir que o fantasma de uma ex-aluna retornou e está frequentando as aulas.

Dia 17: “O Silêncio do Lago” (1988)

Saskia desaparece misteriosamente em um posto de gasolina na França. Três anos depois, seu namorado, Rex, é abordado por um homem que diz ser o responsável e promete revelar o que aconteceu, contanto que Rex aceite passar pelas mesmas coisas que Saskia.

Dia 18: “Pulse” (2001)

Em Tóquio, um grupo de jovens começa a investigar o desaparecimento repentino de um colega. Ao mesmo tempo, pessoas comuns descobrem um site misterioso que faz uma pergunta perturbadora: “Você gostaria de ver um fantasma?”.

Dia 19: “Black House” (2007)

Um agente de seguros descobre um assassinato brutal na casa de um cliente. Ao suspeitar que o homem cometeu o crime de propósito para receber o dinheiro da apólice, o investigador se torna o novo alvo de um perigoso psicopata.

Dia 20: “Eles” (2006)

Um casal vive em uma casa de campo isolada. Durante a madrugada, sua rotina é interrompida por barulhos estranhos, luzes piscando e o telefone tocando misteriosamente. Eles logo percebem que a propriedade foi cercada por invasores encapuzados e desconhecidos, dando início a uma noite de terror psicológico e a uma luta desesperada pela sobrevivência dentro e fora de casa.

O terror dos anos 1990 e do início dos anos 2000 parece mais preocupado em explorar elementos já consagrados, mas de diversas maneiras. “Pulse” e “Whispering Corridors” foram os únicos com elementos sobrenaturais.

“Whispering Corridors” tece uma crítica ao totalitarismo e aos abusos cometidos por professores sul-coreanos. Como parte da tradição asiática, seus fantasmas são tanto vítimas quanto algozes. Uma pena, apenas, que o filme perca muito tempo mostrando a violência enfrentada pelas alunas e demore para ir direto ao ponto.

Já “Pulse”, demonstrando uma visão à frente de seu tempo, se adiantou ao inserir a internet junto com seus fantasmas. Em uma época em que as pessoas estavam começando a se conectar, a web era cercada de mistérios, e tirar proveito disso é o maior trunfo do longa.

O restante dos longas dessa lista não seguiu a mesma linha. “O Silêncio do Lago”, apesar de ser de 1988, apresenta conceitos similares aos dessas obras um pouco mais recentes.

O tema central seria a confiança, ou a quebra dela. Em “O Silêncio do Lago”, todo o mistério é pautado em manter as aparências e em confiar ou não em estranhos.

“Black House” é um suspense em que a investigação não procura um culpado, mas sim formas de provar o crime. No entanto, certos preconceitos e convenções sociais escondem o verdadeiro mistério.

“Eles” também é um suspense com terror psicológico, em que o lar se torna o cenário de um pesadelo. Mais uma vez, o choque central está na figura vilanesca, já que ela assume uma forma que não esperamos.

Passado o ápice da violência gráfica dos anos 1980, o que resta é procurar um culpado a ser explorado. Seja nas relações interpessoais ou em uma internet pouco explorada, tanto a estética mais noturna de alguns longas quanto o desenrolar deles revelam uma fase preocupada com um perigo próximo, focada em se manter em alerta com as pessoas ao redor.

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