É inegável que a muito tempo vivemos uma escassez de vilões icônicos em filmes slasher. Com uma grande exceção sendo o palhaço Art de “Terrifier”, é talvez Ghostface de “Panico” que pesar de ter sido criado nos anos 90, segue se reinventando. Assim como eu não escondo que o subgênero de slasher é meu favorito, recentemente eu embarquei em “Heart Eyes”. Misturando comédia e terror, o longa se mostrou muito divertido apesar de tropeçar nessa tentativa de fazer um personagem marcante.
No longa, acompanhamos Ally e Jay, dois colegas de trabalho que saem em um encontro para falar sobre questões do projeto que encabeçam na empresa e são perseguidos pelo assassino Heart Eyes, que os confunde com um casal. A cena de abertura do longa, possivelmente a melhor, é eficiente em definir o tom e a violência que vamos acompanhar. Também é estabelecido a fama do assassino que dá título ao filme, mostrando que ele já é conhecido.
O diretor também foca bastante e faz bom uso do seu apelo visual. Na tentativa de estabelecer o tão sonhado ícone do terror, a máscara do vilão, que possui dois corações no lugar dos olhos, se mostra um apetrecho útil. Em algumas cenas de pouca iluminação os corações acendem, dando um visual bem característico apesar de não funcional se a intenção dele for agir escondido.
A maneira dele de agir também é mostrada logo na cena de início. O assassino que dá nome ao longa não mata apenas casais, mas sim todos que estão no meio desse objetivo. Assim como também é mostrado suas várias armas características, como um facão e uma mini besta. Porém, no meio disso temos a mescla de gêneros. Para traçar esse paralelo entre comédia e terror o nome mais notável que assina o roteiro é Christopher Landon. Conhecido já por fazer esse casamento narrativo em longas como “A Morte te dá parabéns”, London trás aqui elementos de comédia-romântica.
Apesar de seguir um caminho curioso e engraçado, ao seguir mais cliches de comédia-romântica do que de filmes slasher, com direito a cena de aeroporto que vemos em diversos outros longas do gênero, a mistura acaba por se atrapalhando em certos momentos.
Após a cena inicial, ao tentar estabelecer a relação da dupla protagonista, o filme se arrasta um pouco, mas é justificável pois se torna um sacrifício importante na hora de torcemos pela dupla. Uma decisão, questionável, ao meu ver, é fazer a história uma trama de uma noite só. Faz sentido pois a temática é de dia fosse namorados, mas perde um pouco da essência de slasher de tentar desvendar quem é o assassino, revelação que quando surge, parece momentânea e fraca.
Em muitos momentos “Heart Eyes” parece brigar com seu lado cômico, tendo piadas fora de timing, como a referência a “Velozes Furiosos” que apenas se justifica pela presença de Jordana Brewser no elenco. Mas ao focar na dupla protagonista encontra seu brilho. A utilização do vilão também é bem aproveitada, apesar de tentar por muito criar uma figura marcante, seu desfecho pode causar uma insatisfação de quem espera um potencial legado assim como “Pânico”.
