A cultura popular colocou diversas ideias equivocadas na mente da maioria das pessoas a respeito de sociopatas e serial killers. Por mais que existam obras do audiovisual que buscam trazer recortes mais fidedignos, ainda assim existem diversas limitações que a mídia traz consigo.
Um dos maiores exemplos de filmes com retrato fiel desse tipo de personagem é “Onde os Fracos Não Têm Vez” (2007), o que pode trazer uma boa ideia para um público mais amplo. Mas é bom não confiar muito na representação de personagens como Hannibal Lecter, criado pelo escritor Thomas Harris, pois eles costumam funcionar melhor como uma “caricatura” de um sociopata assassino do que algo mais pé no chão.
Dito tudo isso, as melhores formas de se entender o que realmente são serial killers se encontram na literatura. Por sorte, nos últimos anos, o Brasil tem tido à disposição diversos livros riquíssimos em informações, mas sem o vocabulário hermético restrito à comunidade acadêmica que estuda a área. Dessa maneira, conforme a própria experiência do editor do Cova Aberta com esse tipo de leitura, foram elencados quatro livros básicos para todos que gostariam de entender a fundo o tema.
Por mais que o leitor tenha total liberdade para escolher a ordem de suas leituras, essa lista foi organizada de forma que o conhecimento seja construído de maneira linear e crescente. Além disso, existem diversas outras obras complementares que podem ser adicionadas durante ou após a consulta aos títulos aqui listados. Foi cogitado também aumentar o número de livros com outros que também são muito importantes, mas eles foram deixados de lado por serem considerados mais adequados para um segundo momento, com bases de conhecimento mais bem estabelecidas.
Serial Killers: Anatomia do Mal (Harold Schrechter)

Este é um livro basilar para todos aqueles que desejam um pontapé inicial no tema envolvendo serial killers, contando tanto com teoria psicológica e psiquiátrica quanto com estudos de caso. Além disso, o autor é bastante sábio em deixar a leitura mais dinâmica, alternando os capítulos entre aspectos mais técnicos e a história dos crimes de diversos sociopatas. Dessa forma, ao terminar a obra, o leitor já vai possuir uma boa base do que é um serial killer e do que não é, de como funciona o trabalho de um perfilador forense e de como esse tipo de criminoso age e costuma ser capturado.
Lady Killers: Assassinas em Série (Tori Telfer)

Esse complementa diretamente o primeiro por tratar de um tema bastante específico dentro dessa seara: mulheres serial killers. Existem diversas diferenças na forma como ambos os sexos agem durante esse tipo de crime, bem como em suas motivações e intenções. Compreender e aprofundar esse tipo de conhecimento, conseguindo distinguir melhor tais questões, não só enriquece o entendimento do interessado no tema como também preenche diversas lacunas que o livro anterior não se propõe a aprofundar.
Mindhunter: O primeiro caçador de serial killers americano (John Douglas e Mark Olshaker)

Aqui temos uma obra que mistura biografia e aspectos práticos do estudo de serial killers e de perfiladores forenses. Grande parte dos conhecimentos mais sistematizados envolvendo o tema teve o pontapé inicial com John Douglas e Robert K. Ressler, agentes especiais do FBI que conduziram estudos bem estruturados envolvendo perfil criminal. Dessa maneira, além de o leitor poder ter contato direto com o contexto em que tais pesquisas foram feitas e com a forma como elas se tornaram importantes posteriormente, também é possível saber mais sobre estudos de caso e o desenvolvimento dessa área da ciência.
Cruel: Índice da Maldade
(Michael H. Stone e Gary Brucato)

Por fim, uma indicação de leitura mais densa e técnica, mas importante para os estudos modernos. Isso ocorre porque, atualmente, trabalha-se com o conceito de “espectro” dentro de áreas como a psicologia e a psiquiatria. Em outras palavras, o livro tenta sistematizar, de forma simples e com exemplos práticos, como a maldade humana (e não apenas a de serial killers) está distribuída em uma escala que vai de 1 até 22. Ao finalizar a leitura, juntamente com as outras, o leitor terá uma boa base sobre o tema e compreenderá conceitos-chave com mais facilidade.
