Existindo ou não, os aliens vão aparecer cedo ou tarde

Certa vez, estava conversando com um amigo e perguntei se ele acreditava em ETs, ovnis e essas coisas todas da ufologia. A resposta dele foi muito boa, pois resumiu bem o que eu mesmo penso até hoje: “Esse assunto é tipo o sobrenatural, como fantasmas e coisas do tipo. Não dá para saber se eles existem mesmo, mas o mundo seria mais divertido se eles existissem”.

Outro amigo meu, de longuíssima data, tem como hobby justamente o consumo de conteúdo envolvendo temas de ufologia. Não o julgo, pois eu mesmo tenho costumes e gostos que ele acha bastante peculiares, então nos entendemos nesse sentido. Mas, nas nossas conversas sobre o assunto, eu não pude deixar de chegar a uma conclusão bastante clara: cedo ou tarde, os alienígenas vão aparecer, independentemente de eles existirem ou não.

O professor Olavo de Carvalho, que fez um peculiar sucesso na internet por conta de seus aforismos provocativos em suas redes sociais, certa vez falou algo exatamente nessa linha anos atrás. Mesmo acompanhando-o há muito tempo, e até tendo lido dois livros dele, nunca tinha me deparado com esse post em particular até poucos dias atrás. E essa imagem surgiu justamente no contexto de que Donald Trump divulgou uma tonelada de documentos sobre ovnis na primeira semana de maio de 2026.

É curioso observar o momento em que o presidente norte-americano decide divulgar esse tipo de coisa, pois é bastante conveniente para ele. Ao contrário do que imaginava, esse seu segundo governo está sendo bem menos popular do que ele gostaria – e por culpa dele mesmo. Sua imagem pública e seus métodos de governo estão se desgastando cada vez mais. E, em meio a uma crise econômica mundial iminente por conta da guerra no Irã, uma das formas mais convenientes de se lançar uma cortina de fumaça em cima disso é justamente lançando uma outra bomba na mídia.

Só que essa bomba está parecendo mais um rojão do que qualquer outra coisa. O que os documentos e imagens revelam? Absolutamente nada. E não tem nada de surpreendente nisso, pois era bem previsível que nenhuma informação relevante seria publicada.

Do ponto de vista científico, o “Sinal Wow!” segue sendo a maior aposta sobre sinal de vida extraterrestre que tivemos até agora. E, mesmo assim, por que esse caso não é tão conhecido por grande parte da população? A resposta é simples, e a pista para ela está justamente no movimento de Trump em revelar alguns documentos aguados em um momento de crise: não é conveniente. Sei que isso pode soar como uma espécie de “conspiração reversa”, mas, na verdade, é uma forma mais realista de encarar todos os temas da ufologia.

Os relatos de ovnis e coisas parecidas praticamente eram inexistentes antes do advento da aviação. Por mais que programas de TV de qualidade questionável tentem encaixar extraterrestres em todos os períodos históricos, olhando com mais frieza, a única certeza que temos é que foi só no século XX que essas histórias começaram. E, coincidentemente ou não, foi nessa mesma época que tivemos um grande avanço na tecnologia militar e a presença de grandes guerras no mundo (declaradas ou não).

Nesse contexto, em que milhares de objetos ultrassecretos cruzam os céus em testes que deveriam ser segredo de Estado, qual é a melhor forma de se manter esse assunto em sigilo? Alimentar as especulações de que são objetos abstratos, não identificados, e a natureza humana vai, de forma automática, encaixar tudo em histórias de ficção científica que correlacionam tudo com extraterrestres. Os governos do mundo inteiro descobriram que o mito dos alienígenas é bem conveniente para ocultar tecnologia militar secreta e avançada.

Mas não é apenas para isso que o tema dos ETs é bastante útil para os políticos. Ele também serve para desviar a atenção de todos em casos escandalosos ou em momentos de baixa popularidade por questões econômicas, sociais ou de conflitos armados. A diferença é que isso sempre foi feito de forma estratégica e mais calculada, ao contrário do movimento de Trump, que foi desesperado e evidente. Talvez, quem sabe, essa situação toda sirva para que todos fiquem mais céticos com relação aos alienígenas e discos voadores.

Devo dizer, contudo, que muitos documentários e podcasts envolvendo o tema são divertidos de assistir. Principalmente porque parece que sempre são feitos por malucos e para malucos. Na minha lida de jornalista, até agora, já recebi e respondi diversas mensagens sobre avistamentos no céu (com vídeos) que, no final das contas, eram apenas drones, satélites da Starlink ou aviões em baixa altitude. E todos à noite, vale dizer, pois nunca se viu um disco voador durante o dia.

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