Se o Grupo A reuniu alguns dos filmes mais celebrados desta Copa do Terror imaginária, o Grupo B segue por um caminho diferente. Aqui, a força não está necessariamente no prestígio crítico ou na popularidade internacional, mas na variedade de temas e abordagens que cada país traz para a competição.
De um clássico canadense que transformou a relação entre homem e tecnologia em pesadelo, passando pelos traumas de guerra da Bósnia e Herzegovina, pelas lendas sobrenaturais do Oriente Médio e chegando à sátira ultraviolenta da Suíça, o grupo apresenta quatro maneiras muito distintas de enxergar o horror. Talvez não seja a chave mais forte do torneio, mas certamente é uma das mais imprevisíveis. Afinal, em uma Copa do Mundo, seja de futebol ou de terror, nem sempre os favoritos são os responsáveis pelas histórias mais interessantes.
Canadá
“Videodrome“

Notas: IMDb 7,2 | Rotten Tomatoes 80% | Letterboxd 3,9/5
Sinopse: Max Renn, diretor de um canal de televisão especializado em conteúdo sensacionalista, descobre uma misteriosa transmissão chamada “Videodrome”. À medida que investiga sua origem, passa a sofrer alucinações e transformações físicas perturbadoras.
Considerado um dos maiores filmes de David Cronenberg, utiliza o horror corporal para discutir a influência da mídia, a tecnologia e a manipulação da percepção da realidade. Décadas antes de a internet dominar o cotidiano, já questionava os limites entre o humano e a tecnologia.
O filme reflete uma preocupação recorrente do cinema canadense dos anos 1970 e 1980: a influência da mídia de massa sobre a identidade individual. Enquanto Hollywood frequentemente tratava a tecnologia como espetáculo, Cronenberg a transforma em algo orgânico, invasivo e assustador. O medo não está em máquinas rebeldes, mas na forma como elas remodelam nossa percepção da realidade. Apesar de a estranheza poder afastar o público, tudo acaba fazendo parte da crítica do longa.
Bósnia e Herzegovina
“The Living and the Dead“

Notas: IMDb 7,0 | Letterboxd 3,4/5
Sinopse: Duas histórias separadas por décadas acompanham soldados presos em florestas da Bósnia durante diferentes guerras. Aos poucos, elementos sobrenaturais passam a se misturar aos horrores reais dos conflitos.
Ao contrário de muitos filmes de terror que utilizam monstros fictícios, a Bósnia encontra horror em sua própria história recente. O filme conversa diretamente com as feridas deixadas pelos conflitos dos Bálcãs, transformando fantasmas em símbolos de memórias que permanecem vivas mesmo décadas após a guerra. Mesmo com um ritmo arrastado, o que brilha aqui é a habilidade narrativa de transformar drama de guerra em horror.
Catar
“Djinn“

Notas: IMDb 4,6 | Rotten Tomatoes 29% | Letterboxd 2,2/5
Sinopse: Um jovem casal retorna aos Emirados Árabes Unidos e passa a viver em um luxuoso condomínio construído sobre uma antiga vila abandonada. Logo, eles descobrem que forças sobrenaturais ligadas ao folclore local habitam o local.
Aqui foi um pouco complicado, pois diferenças culturais do Catar impedem a realização de tais longas. Ainda assim, com poucos recursos, “Djinn” tem o interesse de focar em criaturas sobrenaturais do folclore islâmico. Apesar de tentar criar uma identidade regional, o longa sofre com a previsibilidade.
Suíça
“Mad Heidi“

Notas: IMDb 5,5 | Rotten Tomatoes 78% | Letterboxd 3,2/5
Sinopse: Em uma Suíça distópica governada por um regime fascista obcecado por queijo, Heidi é presa após desafiar o governo e embarca em uma jornada sangrenta de vingança.
O filme pega uma das figuras mais famosas da literatura suíça, Heidi, e a transforma em protagonista de um filme de vingança ultraviolento. É uma sátira ao nacionalismo, à idealização da identidade suíça e até ao marketing cultural do país. Poucos representantes da Copa do Terror levam tão a sério a ideia de rir de si mesmos.
Se o Grupo A era marcado por grandes representantes do terror contemporâneo e cult, o Grupo B apresenta uma disputa mais heterogênea. O Canadá chega como favorito com um clássico do horror corporal, a Bósnia aposta em um terror ligado às memórias de guerra, o Catar traz elementos do folclore islâmico e a Suíça responde com uma sátira ultraviolenta de um de seus símbolos nacionais.
Mais uma vez, a diversidade cultural fala mais alto. Cada país mostra que o medo pode vir tanto da tecnologia quanto da guerra, de uma antiga lenda local ou até mesmo da subversão de uma clássica personagem infantil.
