Depois de percorrer cinematografias consagradas e outras ainda em desenvolvimento, a Copa do Terror chega a um grupo que parece ter uma missão em comum: encontrar sua própria identidade. Embora seus representantes tenham trajetórias muito diferentes, todos utilizam o gênero para explorar aspectos profundamente ligados à cultura de seus países.
Da floresta colombiana às influências góticas de Portugal, passando pelas marcas históricas do Congo e pelas antigas lendas do Uzbequistão, os filmes desta chave demonstram que o terror também pode servir como uma forma de preservar memórias, tradições e modos de enxergar o mundo. Em muitos casos, o medo nasce menos dos monstros e mais da relação entre as pessoas e suas próprias raízes.
É um grupo que talvez não reúna os títulos mais famosos da competição, mas justamente por isso revela um dos maiores trunfos da Copa do Terror: apresentar cinematografias que raramente aparecem nas listas tradicionais do gênero. No fim, cada representante prova que, independentemente do tamanho de sua indústria cinematográfica, toda cultura possui histórias capazes de inquietar, surpreender e deixar marcas no espectador.
Colômbia
“Tarumama“

Notas: IMDb 6,0 | Rotten Tomatoes 90% | Letterboxd 3,1/5
Sinopse: Após se perderem em uma região isolada da floresta colombiana, um grupo de jovens desperta uma antiga entidade ligada às lendas indígenas locais, transformando a viagem em uma luta pela sobrevivência. O terror colombiano ainda é recente, mas vem encontrando identidade ao explorar a rica diversidade cultural e ambiental do país. Tarumama utiliza o folclore indígena e a floresta como elementos centrais, mostrando como antigas crenças continuam presentes no imaginário colombiano.
Portugal
“Coisa Ruim“

Notas: IMDb 5,8 | Rotten Tomatoes (sem consenso crítico) | Letterboxd 3,0/5
Sinopse: Após comprar uma antiga propriedade no interior de Portugal, uma família começa a presenciar acontecimentos inexplicáveis. Conforme investiga a história do local, descobre que a terra guarda lendas, superstições e acontecimentos macabros que atravessam gerações.
Ao contrário de muitos filmes que apostam em sustos constantes, “Coisa Ruim” mergulha nas crenças populares portuguesas. A narrativa utiliza o ambiente rural, o isolamento e o imaginário sobre maldições e assombrações para construir um horror profundamente ligado ao folclore do interior de Portugal. É frequentemente apontado como o filme que ajudou a recolocar o terror português no mapa do cinema contemporâneo.
Congo
“Juju Factory” (representação simbólica)
Notas: IMDb 6,3 | Letterboxd 3,2/5
Sinopse: Um escritor congolês enfrenta dificuldades para preservar sua identidade cultural enquanto tenta publicar sua obra em um contexto marcado pelas consequências do colonialismo. Assim como ocorreu com Cabo Verde, o Congo ainda não possui uma tradição consolidada no terror. A escolha privilegia um filme reconhecido internacionalmente que evidencia temas recorrentes da cinematografia congolesa, como memória, identidade e as marcas do passado colonial.
Uzbequistão
“Scorpion“
Notas: IMDb 5,8 | Letterboxd 2,7/5
Sinopse: Uma sucessão de acontecimentos inexplicáveis leva diferentes personagens a confrontarem forças ligadas ao folclore e às crenças tradicionais da Ásia Central. Embora o terror uzbeque ainda seja pouco conhecido internacionalmente, suas produções costumam buscar inspiração em lendas locais e elementos da espiritualidade islâmica. Scorpion representa esse esforço de construir uma identidade própria dentro do gênero.
O Grupo K parece unido por um elemento em comum: a busca por identidade.
Na Colômbia, o terror nasce das raízes indígenas e da relação com a natureza. Portugal encontra o medo na tradição gótica e na contemplação da decadência. O Congo revela uma cinematografia que ainda constrói seu espaço internacional, utilizando a memória e a identidade como temas centrais. Já o Uzbequistão busca consolidar um horror inspirado em seu próprio folclore e em antigas crenças da Ásia Central.
É uma chave menos marcada por grandes franquias ou clássicos absolutos e mais pelo desejo de encontrar uma voz própria. Em todos os casos, o horror funciona como um reflexo da cultura local, mostrando que, mesmo em cinematografias menos conhecidas, o medo continua sendo uma poderosa forma de contar histórias.
