Depois de uma verdadeira viagem pelos mais diversos cantos do mundo, a fase de grupos da Copa do Terror chega ao fim. Ao longo dessa primeira etapa, cada seleção apresentou uma forma particular de entender o medo, revelando como o gênero é capaz de refletir culturas, tradições e diferentes momentos da história de cada país.
O Grupo L encerra esse percurso reunindo obras que encontram o horror muito mais nas pessoas do que nas criaturas sobrenaturais. Da Inglaterra à Croácia, passando por Gana e Panamá, os representantes desta chave mostram que obsessões, crenças, conflitos sociais e lendas populares podem ser tão assustadores quanto qualquer fantasma ou demônio.
É um encerramento apropriado para esta primeira fase. Mais do que apresentar monstros, os filmes deste grupo lembram que o terror também nasce das escolhas humanas, das tradições que atravessam gerações e das histórias que uma sociedade decide preservar. E, depois de conhecer representantes de todos os grupos da Copa, fica claro que o medo pode assumir inúmeras formas, mas sempre carrega um pouco da identidade de quem o conta.
Inglaterra
“Peeping Tom” (A Tortura do Medo)

Notas: IMDb 7,6 | Rotten Tomatoes 96% | Letterboxd 3,9/5
Sinopse: Um tímido cinegrafista leva uma vida dupla como serial killer, registrando em filme os últimos instantes de suas vítimas enquanto estuda o medo humano. Hoje considerado um dos maiores clássicos do terror psicológico, Peeping Tom foi inicialmente rejeitado pela crítica britânica por sua violência e abordagem perturbadora. Décadas depois, tornou-se uma das obras mais influentes do gênero, refletindo a tradição inglesa de explorar a psicologia, a repressão e a obsessão em vez do horror explícito.
Gana
“The Cursed Ones” (representação simbólica)

Notas: IMDb 6,8 | Rotten Tomatoes 100% | Letterboxd 3,4/5
Sinopse: Uma jornalista investiga uma comunidade onde mulheres acusadas de bruxaria vivem isoladas. Conforme a investigação avança, ela descobre uma realidade marcada por superstição, violência e exclusão.
Gana ainda não possui um terror de grande repercussão internacional. Por isso, a escolha recai sobre um thriller dramático que retrata um problema real do país: a perseguição de pessoas acusadas de feitiçaria. A obra demonstra como antigas crenças continuam influenciando parte da sociedade ganesa.
Croácia
“The Show Must Go On“

Notas: IMDb 6,8 | Letterboxd 3,3/5
Sinopse: Enquanto uma guerra ameaça o país, participantes de um reality show permanecem confinados sem saber o que acontece do lado de fora. A produção decide manter as gravações mesmo diante do caos crescente. A Croácia possui poucos representantes no terror, mas o longa utiliza suspense, isolamento e paranoia para discutir manipulação midiática e os traumas deixados pelos conflitos nos Bálcãs. O medo nasce da perda de contato com a realidade.
Panamá
“Diablo Rojo PTY“

Notas: IMDb 5,5 | Letterboxd 2,8/5
Sinopse: Um motorista de ônibus percorre uma estrada deserta quando passa a ser perseguido por criaturas inspiradas no folclore panamenho. A viagem rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência. Um dos primeiros longas panamenhos de terror com projeção internacional, Diablo Rojo PTY incorpora os tradicionais ônibus conhecidos como “Diablos Rojos” e lendas populares para construir uma identidade genuinamente panamenha dentro do gênero.
O Grupo L encerra a Copa do Terror mostrando que os maiores medos costumam nascer das próprias pessoas e das crenças que elas compartilham.
Na Inglaterra, a obsessão e o voyeurismo transformam a mente humana em palco para o horror. Em Gana, superstições profundamente enraizadas revelam como o medo pode justificar a exclusão e a violência. A Croácia discute a manipulação da realidade e as marcas deixadas pela guerra, enquanto o Panamá encontra em seu folclore e em símbolos do cotidiano uma forma de construir um terror autenticamente nacional.
É uma chave em que o horror raramente depende apenas do sobrenatural. Em todos os representantes, o medo nasce das relações humanas, das tradições e das consequências de escolhas coletivas. Um encerramento apropriado para a fase de grupos da Copa do Terror, reforçando a ideia de que guiou toda a série: por mais diferentes que sejam suas culturas, cada país encontra uma maneira única de transformar sua própria realidade em histórias capazes de inquietar o público.
