Estes serial killers foram pegos por erros ridículos

Quase sempre, o que entrega um mentiroso não é algo gigantesco, mas sim os pequenos detalhes. Da mesma forma, grandes criminosos também costumam cair por algo banal e quase imperceptível – “puxar a pena e vir a galinha inteira”, como diz o ditado. Porém, alguns dos mais notórios assassinos em série foram presos por erros tão pequenos que beiram ao ridículo.

Alguns chegaram a desafiar a polícia publicamente, convencidos de que eram inteligentes demais para serem capturados. No entanto, por mais elaborados que fossem seus planos, bastou um erro banal para que toda a estrutura desmoronasse.

De multas de trânsito a disquetes enviados pelo correio, passando por cartões bancários utilizados de forma imprudente e até testes de genealogia feitos por parentes distantes, a história criminal está repleta de casos em que alguns dos assassinos em série mais notórios do mundo foram derrotados não por sua crueldade.

Não dirija sem placa no carro

Joel Rifkin foi um dos serial killers mais prolíficos da história dos Estados Unidos. Nascido em 1959, em New York City, ele levou uma vida aparentemente comum durante a juventude, mas desenvolveu uma obsessão por prostitutas e fantasias violentas que culminaram em uma série de assassinatos. Entre 1989 e 1993, Rifkin matou ao menos 17 mulheres, a maioria profissionais do sexo que atuavam na região de New York. Após os crimes, ele costumava desmembrar os corpos e abandonar os restos mortais em áreas isoladas, dificultando a identificação das vítimas e a ligação entre os casos.

Apesar da brutalidade dos assassinatos, a captura de Rifkin ocorreu por um motivo ridículo. Em 28 de junho de 1993, policiais do condado de Nassau notaram que uma picape Mazda dirigida por ele estava sem placa traseira. A infração chamou a atenção dos agentes, que tentaram realizar uma abordagem de rotina. Em vez de parar, porém, Rifkin entrou em pânico e acelerou, iniciando uma perseguição pelas ruas da região.

A fuga durou pouco. Durante a perseguição, Rifkin perdeu o controle do veículo e colidiu contra um poste de iluminação. Quando os policiais se aproximaram para prendê-lo, sentiram um forte odor vindo da traseira da caminhonete. Ao abrir o compartimento de carga, encontraram o corpo em decomposição de uma mulher, posteriormente identificada como Tiffany Bresciani, uma profissional do sexo desaparecida dias antes. A descoberta levou os investigadores a revistar a residência de Rifkin, onde encontraram evidências que o conectaram a diversos outros assassinatos.

Após sua prisão, Joel Rifkin confessou os crimes e colaborou com as autoridades na identificação de várias vítimas. Ele foi condenado em diferentes processos que resultaram em uma pena total de 203 anos de prisão. Atualmente, segue encarcerado em uma penitenciária do estado de New York, sem qualquer possibilidade realista de liberdade, encerrando de forma definitiva a trajetória de um dos mais notórios assassinos em série da história americana.

Não use o cartão de suas vítimas

Israel Keyes foi um dos serial killers mais enigmáticos e meticulosos dos Estados Unidos. Nascido em 1978, em Richmond, serviu no Exército americano e, por muitos anos, levou uma vida aparentemente comum como empresário do ramo da construção em Anchorage. Por trás dessa fachada, porém, escondia uma rotina criminosa cuidadosamente planejada. Keyes viajava pelo país escolhendo vítimas aleatórias, sem ligação entre si, e preparava previamente esconderijos com armas, dinheiro e ferramentas para cometer assassinatos. Embora tenha confessado oficialmente oito homicídios, os investigadores acreditam que o número real de vítimas possa ser maior.

Sua queda começou em fevereiro de 2012, após o assassinato de Samantha Koenig, uma jovem de 18 anos sequestrada enquanto trabalhava em uma cafeteria de Anchorage. Depois de matar a vítima, Keyes adotou um comportamento incomum para alguém tão cauteloso: utilizou o cartão de débito dela para sacar dinheiro. As transações foram registradas em diferentes localidades, permitindo que os investigadores acompanhassem seus deslocamentos e reunissem imagens de câmeras de segurança associadas aos saques.

À medida que os registros bancários eram analisados, as autoridades identificaram um padrão de movimentação que cruzava diversos estados americanos. A trilha levou os agentes até o estado do Texas, onde Keyes foi localizado dirigindo o carro da vítima. Durante a abordagem, a polícia encontrou o cartão bancário de Samantha Koenig, dinheiro obtido nos saques e outros itens que o ligavam diretamente ao crime. O assassino, que havia passado anos planejando meticulosamente seus ataques para evitar qualquer conexão entre as vítimas, acabou sendo identificado por uma série de operações financeiras facilmente rastreáveis.

Após a prisão, Israel Keyes confessou vários assassinatos e forneceu detalhes que ajudaram a esclarecer alguns casos antigos. No entanto, ele demonstrou pouco interesse em colaborar plenamente com os investigadores e levou muitos de seus segredos para o túmulo. Em dezembro de 2012, enquanto aguardava julgamento em uma prisão do Alaska, Keyes tirou a própria vida. Sua morte encerrou a investigação direta sobre seus crimes, mas também deixou inúmeras perguntas sem resposta sobre a verdadeira extensão de sua trajetória assassina.

Não leve multas de trânsito

David Berkowitz, conhecido como “Filho de Sam”, nasceu em 1953, na cidade de New York City. Adotado ainda bebê, teve uma infância marcada por dificuldades emocionais e problemas de relacionamento. Entre 1976 e 1977, espalhou o medo por Nova York ao realizar uma série de ataques a tiros contra jovens casais e mulheres que encontrava pelas ruas durante a noite. Ao todo, matou seis pessoas e feriu outras sete. O apelido “Filho de Sam” surgiu após cartas enviadas à polícia e à imprensa, nas quais afirmava agir sob influência de forças sobrenaturais ligadas a um vizinho chamado Sam Carr.

Durante meses, a polícia mobilizou centenas de investigadores para encontrar o responsável pelos crimes, mas poucas pistas concretas surgiam. A virada ocorreu após o assassinato de Stacy Moskowitz, em julho de 1977. Testemunhas relataram ter visto um homem suspeito na região e também notaram um veículo estacionado próximo ao local do ataque. Embora a informação parecesse pouco relevante em meio à complexa investigação, os detetives decidiram analisá-la com atenção.

Ao revisar registros da área, os investigadores descobriram que um carro havia sido multado por estacionamento irregular próximo à cena do crime pouco antes do atentado. O veículo pertencia justamente a David Berkowitz. A partir dessa informação, a polícia passou a monitorá-lo e encontrou outras evidências que reforçavam as suspeitas, incluindo o fato de que ele correspondia à descrição fornecida por testemunhas. Em 10 de agosto de 1977, agentes o abordaram próximo de sua residência. Dentro do carro, encontraram armas, munições e diversos elementos que o ligavam diretamente aos ataques. Berkowitz acabou confessando os crimes pouco depois de ser preso.

Em 1978, David Berkowitz foi condenado a seis penas consecutivas de prisão perpétua pelos assassinatos cometidos. Durante os anos seguintes, afirmou ter abandonado as alegações sobre demônios e cães possessos que havia apresentado inicialmente, descrevendo-as como parte de uma fantasia criada por ele. Atualmente, segue encarcerado em uma prisão do estado de New York. Apesar de ter se tornado elegível para liberdade condicional há décadas, seus pedidos foram repetidamente negados, e ele continua cumprindo pena pelos crimes que transformaram o “Filho de Sam” em um dos serial killers mais famosos da história americana.

Não envie disquetes para a polícia

Dennis Rader, conhecido como BTK Killer — sigla para “Bind, Torture, Kill” (Amarrar, Torturar e Matar) — nasceu em 1945, no estado do Kansas. Durante décadas, levou uma vida aparentemente comum: serviu na Força Aérea, trabalhou em diferentes empregos, foi líder de igreja e constituiu família. Por trás dessa fachada respeitável, porém, escondia um dos serial killers mais infames da história americana. Entre 1974 e 1991, assassinou dez pessoas na região de Wichita, geralmente invadindo residências, amarrando as vítimas e as matando por estrangulamento. Além dos crimes, Rader gostava de provocar a polícia e a imprensa enviando cartas nas quais descrevia seus assassinatos e alimentava a própria notoriedade.

Após permanecer em silêncio por vários anos, Rader voltou a se comunicar com a mídia e os investigadores em 2004, quando o caso já havia se tornado um dos maiores mistérios criminais dos Estados Unidos. Em uma série de mensagens, ele enviou fotografias, documentos e detalhes dos assassinatos, demonstrando confiança de que jamais seria identificado. Em determinado momento, decidiu perguntar à polícia, por meio de uma carta, se um disquete de computador poderia ser rastreado. Os investigadores responderam publicamente que não, sabendo que poderiam estar explorando a vaidade do criminoso.

Convencido de que estava seguro, Rader enviou um disquete para uma emissora de televisão local. Ao analisar os metadados do arquivo, especialistas forenses descobriram que ele havia sido criado por um usuário chamado “Dennis” e que o documento estava associado a uma igreja luterana da região. A partir dessas informações, os investigadores chegaram rapidamente a Dennis Rader. Em seguida, obtiveram uma amostra de DNA de um familiar e compararam com material biológico preservado de uma das cenas dos crimes, confirmando definitivamente sua identidade. O homem que havia escapado da polícia por mais de 30 anos acabou sendo traído por um simples arquivo de computador.

Preso em 2005, Dennis Rader confessou os dez assassinatos em um depoimento detalhado que chocou o país pela frieza com que descreveu seus atos. Ele recebeu dez penas de prisão perpétua consecutivas, sem possibilidade de liberdade condicional. Atualmente, segue encarcerado em uma penitenciária do estado de Kansas, onde deverá permanecer pelo resto da vida. Sua captura é frequentemente lembrada como um dos exemplos mais emblemáticos de um criminoso extremamente cuidadoso que foi derrotado pela própria arrogância.

A justiça pode tardar, e muito

Joseph James DeAngelo, conhecido por apelidos como o “Golden State Killer” e o “East Area Rapist”, nasceu em 1945 e chegou a trabalhar como policial na California durante a década de 1970. Por muitos anos, levou uma vida comum, casou-se, teve filhos e trabalhou em diferentes profissões. No entanto, entre as décadas de 1970 e 1980, foi responsável por uma longa série de crimes que incluíram invasões domiciliares, estupros e assassinatos. As autoridades o ligaram a pelo menos 13 homicídios, mais de 50 estupros e dezenas de furtos, tornando-o um dos criminosos mais procurados da história americana.

Durante décadas, os investigadores não conseguiram identificar o responsável pelos ataques, apesar da existência de amostras de DNA coletadas em diversas cenas de crime. O caso permaneceu sem solução até que avanços na genealogia genética abriram uma nova possibilidade de investigação. Em 2018, especialistas carregaram um perfil genético obtido das evidências criminais em uma plataforma pública de genealogia utilizada por pessoas interessadas em descobrir suas origens familiares.

O DNA não apontou diretamente para DeAngelo, mas revelou parentes distantes do criminoso. A partir desses vínculos, genealogistas e investigadores construíram uma extensa árvore familiar, analisando gerações de descendentes e cruzando informações como idade, localização e histórico pessoal. Aos poucos, Joseph DeAngelo emergiu como o principal suspeito. Para confirmar a hipótese, agentes passaram a monitorá-lo discretamente e recolheram amostras de DNA descartadas por ele em locais públicos. Os testes demonstraram uma correspondência com o material biológico encontrado nas cenas dos crimes, encerrando um mistério que havia durado mais de 40 anos.

Preso em abril de 2018, DeAngelo acabou confessando seus crimes como parte de um acordo judicial que evitou a pena de morte. Em 2020, foi condenado a múltiplas penas de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Atualmente, permanece encarcerado em uma prisão da California. Sua captura se tornou um marco na história da investigação criminal, demonstrando como a genealogia genética pode solucionar casos que pareciam impossíveis de resolver mesmo após décadas.

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