“Zona Zero”: os zumbis mais diferentes do cinema

Em 2016, o diretor sul-coreano Yeon Sang-ho deu um bom respiro para os zumbis no cinema com o lançamento de “Invasão Zumbi”. O longa sobre pessoas tentando sobreviver ao ataque das criaturas dentro de um trem lidou com questões como disparidade social, ética e moral.

Agora, em 2026, o diretor retorna a trabalhar com os zumbis em seu novo longa, “Zona Zero”. Dessa vez, sendo um pouco mais preto no branco, Sang-ho lida com terrorismo biológico e cria uma nova versão de zumbis.

Na trama, um cientista frustrado libera um vírus em um arranha-céu em Seul. Enquanto pessoas tentam sobreviver aos zumbis, o local é isolado, e a chance de sobrevivência se torna o vilão do filme, pois injetou em si mesmo a única cura. Diferente de outros projetos de zumbis que buscam referenciar George Romero, considerado o pai dos zumbis por dirigir “A Noite dos Mortos-Vivos”, em 1968, “Zona Zero” vai além e transforma suas criaturas em uma consciência coletiva.

Com essa mecânica, o longa estabelece um sistema de comunicação entre as criaturas, o que faz com que elas aprendam e evoluam a todo momento. Isso faz com que todo encontro dos protagonistas seja um desafio maior ainda, transformando a base do roteiro em algo semelhante a um jogo de videogame. Entramos em uma fase com inimigos mais difíceis, temos algumas baixas e seguimos para a próxima.

O que muito se fala nesse tipo de produção é como a maquiagem e os efeitos práticos são bem feitos, mas aqui temos um detalhe pouco explorado: a interpretação física dos atores que fazem os zumbis. Utilizando o contorcionismo como forma de choque, a performance circense de como essa grande colmeia se movimenta se torna um dos grandes atrativos do longa.

Ainda que se destaque pela forma inovadora de fazer seus zumbis, “Zona Zero” é mais simples que seu irmão “Invasão Zumbi”. O longa mais recente é mais preto no branco no que se refere ao caráter de seus personagens, enquanto “Invasão Zumbi” nos trazia um protagonista moralmente questionável que vai evoluindo no decorrer da trama. Em “Zona Zero”, os papéis de herói e vilão são mais claramente estabelecidos, com exceção de um debate ético que implica na necessidade de matar os zumbis, mesmo sabendo que existe uma cura.

Além dessa diferença e da troca de trilhos por um prédio, “Zona Zero” está muito mais preocupado em ser um longa de ação. Claro que a problemática de zumbis evoluindo, embora divertida, pode se tornar cansativa na medida em que se repete pela longa duração de duas horas do longa.

Apesar dessa questão e de uma decisão mercadológica de deixar portas abertas para sequências, “Zona Zero” traz uma trama de bioterrorismo com um vilão carismático e zumbis diferentes o bastante para sustentar uma sobrevida para as criaturas que um dia dominaram a cultura pop.

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