Para este mês de outubro, estou assistindo a um filme de terror por dia até o Halloween. Como eu não queria nada óbvio, como uma lista tirada do IMDb, por exemplo, busquei uma seleção mais diversa, que nos ajude a entender o terror através dos anos.
Dia 1 — Onibaba (1964)
No Japão feudal, duas mulheres, uma sogra e sua nora, sobrevivem em meio a uma guerra matando samurais e vendendo suas armas. Tudo muda com a chegada de um conhecido, e o envolvimento da jovem com ele desperta histórias e uma misteriosa entidade.
Dia 2 — À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)
Um coveiro cruel, sádico e satânico aterroriza uma pequena cidade. Após cometer diversos crimes na busca por um herdeiro, os mortos voltam para cobrar sua dívida.
Dia 3 — Os Inocentes (1961)
Uma jovem governanta é contratada para cuidar de dois órfãos em sua imensa mansão. Com o passar do tempo, ela começa a avistar fantasmas de antigos funcionários.
Dia 4 — Kwaidan (1964)
Este é uma antologia que reúne histórias do folclore japonês.
Dia 5 — A Noite dos Mortos-Vivos (1968)
Durante o verão americano, subitamente os mortos começam a levantar de suas covas. Um grupo de pessoas presas em uma cabana tenta sobreviver enquanto procura entender o estranho fenômeno.

“Onibaba” foi essencial para começar a maratona. O longa é eficaz em brincar com os diferentes tipos de medo. Enquanto explora questões mais mundanas, como a fome, a miséria e o medo da guerra, ele traz, como consequência dessa vulnerabilidade, o sobrenatural.
Algo em comum nesses longas, talvez pelo padrão da época, é como eles se apoiam no medo do desconhecido. O Zé do Caixão, em “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”, é tão misterioso e inexplicável quanto os elementos sobrenaturais da trama, assim como o motivo ambíguo de existirem zumbis em “A Noite dos Mortos-Vivos” e os desfechos das histórias de “Kwaidan”.
Dessa primeira leva, o que mais me chamou atenção foi “Os Inocentes”. O roteiro alterna entre o terror psicológico e o de assombração, tendo um roteiro tão bem escrito que nos coloca na dúvida sobre tudo o que é apresentado.
De fato, o mais interessante aqui é como podemos nos apoiar no medo do desconhecido. A falta de explicação, de clareza e de compreensão carregou o terror nessa época, levando-me a crer que tudo começa com um estranhamento antes de tirar nosso sono à noite.
