Um filme de terror por dia: o medo entre nós

Na segunda semana assistindo a um filme por dia, atravessamos os anos 1970. Se, nos anos 1960, a dúvida e o desconhecido reinavam, aqui o terror é quase antropológico.

Dia 6: O Homem de Palha (1973)

O sargento policial Neil Howie viaja até a remota ilha de Summerisle, na Escócia, após receber uma carta anônima sobre o desaparecimento de uma jovem.

Dia 7: O Estigma de Satanás (1971)

Na Inglaterra do início do século XVIII, um lavrador chamado Ralph Gower encontra uma ossada e um crânio deformado enquanto ara um campo. A partir desse achado macabro, uma força demoníaca desperta e começa a influenciar os jovens de uma vila rural isolada.

Dia 8: As Filhas do Fogo (1978)

Ana viaja até Gramado, na Serra Gaúcha, para visitar uma amante secreta. Lá, no local onde sua mãe se suicidou no passado, elas conhecem uma vizinha que faz experiências para ouvir a voz dos mortos.

Dia 9: Aniversário Macabro (1972)

No dia do aniversário de Mari, ela e a amiga Phyllis vão até a cidade para assistir a um show. No caminho, ao tentarem comprar drogas, as jovens são capturadas por um bando de criminosos sádicos liderados por Krug.

Dia 10: Os Meninos (1976)

Um casal de turistas ingleses chega a uma ilha onde todas as crianças enlouqueceram e estão assassinando os adultos.

Do dia 6 ao dia 8, temos longas do gênero folk horror. Os três seguem um modelo narrativo em que encontramos um local com costumes conservadores e uma comunidade que não gosta de forasteiros.

O Homem de Palha demonstra criatividade ao misturar momentos musicais, nos quais expõe tradições nórdicas, com a manutenção de um ambiente tenso. Além disso, o filme se transforma em uma batalha de conservadorismo ao fazer do protagonista um cristão ferrenho que impõe sua fé, apresentando-o como o outro lado da mesma moeda.

O Estigma de Satanás já subverte a fórmula do folk horror ao fazer com que o estranho surja da própria comunidade. O longa mantém a fórmula de uma vila conservadora, mas, aqui, não temos um forasteiro. Pelo contrário, a ameaça central surge de dentro do povoado, corrompendo os mais jovens.

Em “As Filhas do Fogo”, a protagonista passa por um estado de paranoia, fruto de uma possível perseguição devido ao seu romance com uma amiga, ao mesmo tempo em que encontra na possibilidade de conversar com sua mãe uma forma de superar o luto. O longa brasileiro se destaca por abordar essas questões sociais por meio do terror já nos anos 1970. Uma pena que o ritmo lento o torne cansativo.

Falando dos dois últimos filmes, “Os Meninos” coloca dois adultos em um ambiente violento, tomado por crianças. O foco é provocar, desde o início, a reflexão sobre se seria razoável tomar decisões mais drásticas contra elas. Enquanto isso, Aniversário Macabro explora os limites da maldade humana, movida pelo puro sadismo, e a corrupção de pessoas de bem — se é que elas existem.

Ficou bem claro para mim que, enquanto nos cinco primeiros dias o que dominou foi o desconhecido do sobrenatural, aqui a maldade humana foi o destaque. O mal não surge de uma força desconhecida, mas está impregnado na sociedade, fazendo com que ela se torne o desconhecido que as pessoas tanto temem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *