Conforme a maratona vai avançando, algumas coisas na história do terror vão ficando mais evidentes. Nesta semana, chegamos aos anos 1980.
Dia 11: “A Sociedade dos Amigos do Diabo” (1989)
Bill é um menino rico que leva uma vida tranquila e confortável, até a morte misteriosa de um grande amigo. Ele então passa a perceber coisas muito estranhas em todos ao seu redor, que o motivam a deixar a tragédia de lado. Inconformado, Bill investiga o caso e faz uma descoberta horrenda sobre a alta sociedade de sua cidade.
Dia 12: “Videodrome” (1983)
Max Renn, dono de uma pequena emissora de televisão a cabo, capta imagens de pessoas torturadas e mortas. Logo, ele descobre que a transmissão se chama “Videodrome”, é gerada em Pittsburgh e é muito mais do que um mórbido show. Trata-se de um experimento que usa a televisão para alterar permanentemente a percepção das pessoas, causando sérios danos ao cérebro.
Dia 13: “Tetsuo: O Homem de Ferro” (1989)
Engrenagens e metal fundem-se à carne em uma metamorfose industrial alucinante. Um humilde assalariado transforma-se em uma arma biomecânica, enquanto um fetiche metálico espalha o caos. O concreto de Tóquio treme sob uma evolução violenta nesta corrida apocalíptica e visceral.
Dia 14: “O Segredo da Múmia” (1982)
Um cientista louco descobre uma poção capaz de dar vida eterna aos seres humanos. Ele usa seu experimento em uma múmia egípcia. No entanto, ela ressuscita e começa a matar seus desafetos.
Dia 15: “Re-Animator” (1985)
O obcecado Dr. Herbert West cumpre pena de 14 anos devido ao massacre causado na Universidade de Miskatonic por seus experimentos de reanimação de organismos mortos. Na prisão, longe de se reabilitar ou se arrepender de sua persistência científica em vencer a morte, ele segue seu trabalho de forma precária.

Fica bem claro que o foco desta fase da maratona é o body horror. Conforme os anos foram passando, o terror foi ficando mais inventivo e buscando mais camadas em seus subtextos. Os anos 1980 foram uma época de rebeldia e transgressão, e isso se reflete tanto em “A Sociedade dos Amigos do Diabo” quanto em “Videodrome”.
Enquanto um fala sobre a alta sociedade e seus segredos obscuros, ao mesmo tempo que mostra as inseguranças e a ansiedade de seu protagonista, que tem medo de não ser aceito, o outro, “Videodrome”, fala sobre a mídia, a banalização da violência e a obsessão por esse tipo de conteúdo.
Claro que “Tetsuo” não fica atrás. O clássico japonês usa o body horror associado ao metal para falar sobre a industrialização e a perda da identidade de quem está inserido em um sistema.
Esses três longas compartilham essa filosofia de crítica social, ao mesmo tempo que não deixam de ser grotescos. Isso muda um pouco com os dois últimos.

Não menos violento que os outros, “Re-Animator” busca na ficção científica uma releitura do clássico “Frankenstein”, mas se destaca pelo uso criativo dos efeitos práticos.
Outro filme muito inspirado no clássico de Mary Shelley é “O Segredo da Múmia”. O longa do brasileiro Ivan Cardoso é, de longe, o mais caótico e criativo da semana.
Cardoso mistura gêneros e histórias. Ele une “Frankenstein” a “A Múmia” e, de alguma forma, transforma ambos em uma história de terror, comédia e sexo.
Sem dúvida, esse expoente do cinema nacional representa bem o gênero nessa época, uma era marcada por transformações corporais e conceituais no terror.
