Quando eu tive a ideia da “Copa do Terror”, a proposta era bem simples. O trabalho essencialmente era de pesquisa: selecionar os longas de terror de maior notoriedade de cada país. Porém, com o tempo, a ideia foi além de buscar o melhor filme, e sim aquele que representasse melhor a sua nação de origem.
Logo no Grupo A, ficou evidente como o terror pode refletir realidades completamente diferentes. Do narcotráfico mexicano ao horror ecológico sul-africano, passando pelo surrealismo tcheco e pela religiosidade sul-coreana, os filmes mostraram que o medo costuma carregar a história de quem o produz. No Grupo B, o terror se transformou em uma ferramenta para discutir isolamento, tradição e conflitos sociais, enquanto o Grupo C revelou como algumas cinematografias utilizam o sobrenatural para revisitar memórias coletivas e dilemas nacionais sem abrir mão da identidade cultural.
Ao chegar aos Grupos D, E e F, outra característica chamou atenção: não existe uma única maneira de construir o medo. Em alguns países, ele nasce das lendas populares; em outros, das guerras, da religião, da natureza ou simplesmente da solidão. São filmes muito diferentes entre si, mas que compartilham a capacidade de transformar questões locais em histórias universais. (Confira os Grupos D, E e F.)
A segunda metade da competição também reservou descobertas inesperadas. Os Grupos G, H e I mostraram que o terror pode surgir tanto do sobrenatural quanto da própria realidade. Traumas históricos, crenças religiosas e acontecimentos cotidianos frequentemente se revelaram mais assustadores do que qualquer criatura fantástica. (Leia as análises dos Grupos G, H e I.)
Já os Grupos J, K e L talvez tenham deixado a principal lição da série. Nem todos os países possuem uma tradição consolidada no terror, e isso também diz muito sobre suas cinematografias. Em alguns casos, foi preciso recorrer ao suspense ou ao thriller para encontrar obras que representassem aquela cultura. Em vez de enfraquecer a proposta, essa diferença tornou a viagem ainda mais interessante, mostrando que o medo também é moldado pelas oportunidades, pela história e pela forma como cada sociedade escolhe contar suas histórias.
Ao final de nossa série, a conclusão é a melhor possível. Através do gênero do terror, podemos aprender muito sobre diferentes culturas e visões de mundo.
O terror nunca fala apenas sobre monstros. Ele fala sobre pessoas. Sobre suas crenças, seus traumas, suas memórias e seus conflitos. Assim como acontece no futebol, cada país entra em campo carregando uma identidade própria. No cinema, essa identidade aparece nas histórias que escolhe contar.
E talvez seja justamente isso que torne o gênero tão fascinante: por mais universal que seja o medo, cada cultura encontra uma maneira completamente única de transformá-lo em cinema.
